Sorriso largo...

domingo, 8 de março de 2026

TODO DIA É DIA DE MULHER!

 




TODO DIA É DIA DE MULHER!

1

Há tanto tempo na estrada,

A mulherada festeja!

Abrindo novos espaços.

É o que sempre se almeja.

E são as mulheres nas pistas.

Brasileiras, cordelistas,

Enfrentando a correnteza.

2

Para a mulher não tem dia,

Pois todos são sempre dela.

Às vezes, uma agonia.

Assim, a face revela.

E nesta luta incansável,

Seu humor nunca é instável.

A batalha é mais bela.

3

Escrevendo sua história.

Vai vencendo a cada dia.

Uma conquista por vez

Sua luta é porfia.

Tem poesia atrevida.

Nunca se dá por vencida.

Ela tem Estrela Guia.

4

A sociedade deve,

Rever logo seu papel.

Pois a mulher ainda sofre,

Discriminação cruel.

Falta sempre a moradia.

Trabalho de menos valia,

Que traça um triste painel.

5

As favelas hoje são

Todas senzalas modernas,

Governos lavam as mãos,

Pra condições subalternas.

É negada a educação.

Não saem do rés do chão.

Para crescer faltam "pernas".

6

Em grandes deslocamentos,

Em conduções bem sofridas,

Neste constante vai e vem,

De qualidades despidas.

É a luta da mulher,

Sem tempo pra bem me quer.

Mas seguem sempre aguerridas.

7

A vida é grande lida.

Ela segue sua sina.

Sem enxergar alternância,

Uma outra sorte não atina.

Exposta à violência.

A vida sem coerência,

Neste mundo não se afina.

8

Para a mulher brasileira

A conquista é sofrida,

O Direito é negado.

Ela é sempre aguerrida.

Ecoa em alto seu brado.

Vai deixando seu legado.

E não arrefece na lida.

9

Ela segue seu caminho.

Neste Século vinte e um,

Vai construindo seu ninho.

Não suporta zum-zum-zum.

Tem conquistas sem favores.

Não sufoca seus amores.

P'ra ela nada é comum.

10

Enfrenta a vida de frente.

Trabalha com bom humor:

Ela Festeja, Canta e Dança,

Para esquecer toda dor.

Toma todos os cuidados.

Vai riscando seus bordados.

Espalha ao mundo o amor.

11

Fortalece seu espirito

E não esquece da oração

Vive a vida em cem por cento

Conforta seu coração.

Na vida tem atitude.

Preserva sua saúde.

E não tolera traição.

12

Dalinha é liderança

E cuida como ninguém

Das mulheres cordelistas

Deus lhe dê saúde, amém.

E se um dia precisar

Já pode me convocar

Pois eu dou conta do harém

13

Assim, seguem as mulheres:

Umas carregam leveza,

Semeando muito amor.

Outras trazem a tristeza.

Seguem conquistando espaços,

Ultrapassam embaraços.

Outras vencendo a pobreza.

14

Semeando tantas flores.

Faz o risco dos bordados.

Num fiar de ponto em ponto.

E transformando em sagrados.

Dormir com tranquilidade.

Sono de fraternidade.

Diretos já conquistados.

15

A vida? luta renhida

Na lida do dia a dia

Seguimos nossos instintos.

Espalhamos alegria.

Somos mães fortes guerreiras.

As mulheres brasileiras.

Temos nossa Estrela Guia!

 

Rosário Pinto/RJ/Março/2026

domingo, 29 de outubro de 2023

LENÇÓIS MARANHENSES - fragmentos de uma lenda

 


Finalmente saiu do forno este folheto que traz uma história Que atravessa os séculos e que marca tanto o imaginário popular, especialmente do povo maranhense. Espero que possam apreciar.

Fotos:  Rosário Pinto
Apresentação: Dalinha Catunda
Xilogravura: Nireuda Longobardi

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

7 DE SETEMBRO DE 1822, a Independência, aconteceu?

 Neste 7 de setembro de 2023, manifesto minhas dúvidas sobre a data, publico o poema "7 de Setembro de 1822, a Independência, aconteceu?", publicado no livro "A independência do Brasil em cordel, 200 anos de fatos que marcaram a história", 2023, organização de Fernando Assumpção/Associação de Amigos da Literatura de Cordel - AMO CORDEL. - uma releitura sob a ótica de poetas/isas populares.



7 DE SETEMBRO DE 1822,
a Independência, aconteceu?
1
Dia vinte e dois de abril,
Daquele mil e quinhentos,
Que por aqui chegaram
Os portugueses sedentos,
Por descobrir terras novas,
Acossados pelos ventos.
2
Em expedições marítimas,
Então estes navegadores,
Enfim, aqui chegaram.
Em meio a muitos rumores,
O termo “descobridores”,
Discutido com rigores.
3
O termo “descobrimento”,
Sempre foi questionado.
Havia os originários
Já de outros tempos datado.
"Chegada dos portugueses"
É termo melhor grafado.
4
Em mil oitocentos e oito
Foi que aqui a Corte chegou.
Veio fugida de guerra.
Logo ao Brasil subjugou.
Usurpando nossas casas.
E ao índio escravizou.
5
No período Joanino,
Se deu a modernização.
Elevado a Reino Unido,
Assim, se fez a junção.
E a Revolução do Porto
E a volta de Dom João.
6
Dom Pedro feito Regente
Fez grandes transformações
Dentre elas, a construção,
Sob suas concepções,
Criar um Império Brasileiro,
Face às insatisfações.
7
Câmaras fizeram pleito
Para as Cortes, eleição.
Mantinham-se, assim fiéis
Leais sem qualquer senão.
Firmaram seus pensamentos:
De Não à separação!
8
Não sei se houve a liberdade,
Talvez, quem sabe foi a morte.
Esta nossa Independência,
Não caminhou em boa sorte.
Os estados do Nordeste
Não assumiram o recorte...
9
O Sete de Setembro (1822)
De nada significou.
E tão pouco a Aclamação,
No Nordeste, não colou.
E foi em Doze de Outubro, (1822)
Que o impasse se instaurou.
10
Assim, então, cresceu o “embrolho”.
No ano de vinte e cinco (1825)
Dom João reconheceu,
Só entre tramelas e trinco,
Mas ainda pela metade,
E do Brasil levou os brincos.
11
Determinou para si
Título de Imperador
Do Brasil e Portugal.
Só aumentando o clamor.
Registrou tudo em Cartório.
E foi sem qualquer pudor.
12
O Rei Dom João era esperto,
Nesta ação familiar.
O impasse permaneceu.
E que só veio a cessar,
Na data da Abdicação.
E tivemos que esperar...
13
Dom Pedro viveu divido,
Entre Brasil e Portugal.
Era homem de dois mundos:
Absoluto e Liberal,
E, foi Europeu e Americano.
E de nenhum teve o aval.
14
Pois, sua biografia
Foi muito depreciada.
Só com Otávio Tarquínio,
Ela foi recuperada.
Somente na sua morte,
Teve a vontade acatada.
15
Com os ossos no Brasil
E o seu coração no Porto,
Numa existência dual.
Nem mesmo depois de morto,
Seus restos tiveram paz,
Não conheceu reconforto!
16
Em nossos livros didáticos
Esta controversa história,
Não faz parte das Escolas.
Não há registro, nem memória
É por isto que repito:
História contraditória!
17
Por tantas idas e vindas,
Os percalços dessa história
Ficaram sempre marcados
Bem fundo em nossa memória.
Até hoje não sabemos,
Se no Grito houve vitória.
18
Desde o início que o Brasil,
É feito por predadores.
É um país violento,
Desde os colonizadores
Submetendo os povos,
Espoliando valores.
19
Entram e saem governos,
Cada qual o mais sangrento.
A marca do extrativismo
Das florestas, cem por cento.
O povo passando fome:
População ao relento.
20
Ciclos vão se repetindo.
Pois, hoje são os garimpeiros,
A invadirem as florestas.
Há também os madeireiros.
Antes foram Bandeirantes
Todos eles embusteiros.
21
E no século vinte e um,
A mesma luta sangrenta,
Matando os desiguais.
E o povo já não aguenta,
O crime banalizado,
Nesta guerra tão cru nojenta.
22
O Brasil, ainda sem rumo,
A barbárie nos assola
Mais de quinhentos anos
Vivendo sob a pistola.
Morrem velhos e crianças,
E não saímos da bitola.
23
Pelo que a história nos diz,
Pelo tanto que vivemos,
Não queremos repetir,
Tantos erros que tivemos.
Dias de medo e de dor.
Vivendo sempre em extremos.
24
Estou mesmo a matutar,
Nestes versos ora lidos.
Pensando no que seriam,
Aqueles tempos vividos.
Essa Tal Independência
Não foi somente aparência?
Foram apenas mugidos?
(Rosário Pinto)
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segunda-feira, 6 de março de 2023

TRIBUTO À MULHER - 08 MARÇO 2023

 À CORA, CORALINA e todas as mulheres poetisas e cordelistas – toda a beleza lírica de Cora Coralina fica evidente no poema A PROCURA.

“Andei pelos caminhos da VIDA.
Caminhei pelas ruas do DESTINO
procurando meu signo.
Bati na porta da FORTUNA,
mandou dizer que não estava.
Bati na porta da FAMA,
falou que não podia atender.
Procurei a casa da FELICIDADE,
a vizinha da frente me informou
que ela tinha se mudado,
sem deixar novo endereço.
Procurei a morada da FORTALEZA.
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,
perfumou-me os cabelos,
fez-me beber de seu vinho.
Acertei o meu caminho. ”
(Cora Coralina)
Nossa linda Coralina,
Que marcou nossa existência
Para mim é referência
Ela comigo se afina
Delicadeza tão fina
Adoçando a nossa alma
Sem nunca perder a calma
A fazer doce no tacho
Ou a lavar roupa em riacho
Sua poesia acalma.
(Rosário Pinto)
São muitas as poetisas na literatura de cordel atualmente. E elas estão por aqui, por aí e acolá: nas páginas das redes sociais, em youtubers, em blogs específicos e autorais e, em outros cantos e recantos da cultura popular. Também buscam a inspiração das musas, haja visto serem elas próprias “poetisas de musa cheia”. Navegam por todas essas redes virtuais com muita desenvoltura.
“Divina musa! inspirai-me,
Para narrar uma história
Que, os menestréis me contaram.
Mulheres de amor e glória,
Ilustraram os romances
De beleza e vitória.”
*
Meus poetas cordelistas
Hoje, venho vos narrar,
As histórias do passado,
De princesas vou falar,
Vivendo encasteladas,
Querendo o amor desfrutar
*
Nosso mundo evolui
Hoje a mulher determina
Que norte dará à vida
Mesmo sendo nordestina
Não carrega o estigma
Daquela pobre menina.
*
Hoje ela tem profissão
Escolhe a vida que quer
Sem preconceito que diga
Se meretriz, ou qualquer!
Conquistou a felicidade
O orgulho de ser mulher.
*
Vale esclarecer, nos últimos anos, a presença assídua das mulheres nas publicações de folhetos. Podemos afirmar que, hoje, a mulher trouxe para a literatura seu olhar intuitivo e suas preocupações com as temáticas e os problemas sociais que ainda enfrenta, perante uma sociedade que engatinha na legislatura em favor dos direitos da mulher em todas as vertentes do conhecimento humano.
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, árvore e ao ar livre
Todas as reações:
Angelita Fernandes

terça-feira, 26 de julho de 2022

4º ENCONTRO DE POETAS POPULARES - de 28 a 31 de julho de 2022

4º ENCONTRO DE POETAS POPULARES + TENDÊNCIAS

Autoras: Rosário Pinto e Dalinha Catunda

Venha para o nosso Encontro
De Poetas Populares
Em sua quarta edição
Traz poesia e cantares
Do Cordel e do Repente
E de Tendência atraente
De alegria pelos ares.
RP
É em vinte e oito de julho
Que começa a animação
Na Arena Fernando Torres
Tem Cordel, tem tradição,
Tem canto, tem brincadeira,
No espaço de Madureira,
E Oficinas em ação.
DC
Chame todos os amigos!
Os que admiram o cordel.
Vamos nos fortalecer.
Fazer tal qual menestrel,
Para aqui valorizar,
A cultura popular,
Viajar neste corcel
RP
Até trinta e um de julho,
Você pode apreciar,
O Canto de Repentista
E quem veio pra falar,
Sobre Arte, sobre Cultura.
E o Cordel literatura,
Vai ter palco pra brilhar.
DC
Cordel é Cultura viva!
Patrimônio Cultural.
Temos que salvaguardar.
É literatura Oral.
Poeta é Detentor,
Registro tem seu valor.
É Bem Imaterial
RP
Este é o 4º Encontro.
Você não pode faltar,
De Poetas Populares
Que veio para ficar.
Na verdade, um Festival!
E vai ser sensacional,
Você pode acreditar!
DC

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Os versos desta programação do 4º Encontro de poetas populares + Tendências são compostos em setilhas (sete pés ou linhas, com sete sílabas métricas, no esquema de rimas do 2º com o 4º e o 7º; e, o 5º e 6º entre si).


E no dia 30 de julho estaremos Miguel Bezerra, Dalinha Catunda e Rosário Pinto,  num Bate Papo, que você não pode perder.

Esperamos todos lá, Arena Fernando Torres, Parque de Madureira, Rio de Janeiro, RJ