Sorriso largo...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

ASSÉDIO, AINDA UMA VERGONHA !


Folheando velhos alfarrábios trago para o tema: assédio - atitude que já deveria estar banida da nossa sociedade. Falta educação para varrer da sociedade esta conduta.

ASSÉDIO, AINDA UMA VERGONHA !

Também puxei a memória
E só lembrei solidão,
De doer o coração.
Adolescência inglória!
A lembrança é compulsória
Mas, logo me esquivei
O passado, eu guardei
Longas horas de tristeza
Numa vida de incerteza
Rasguei logo promissória.
*
Foram anos de agonia,
Naquele assédio constante,
Sem sossego, um instante
Da situação fugia,
Toda noite, todo dia.
Em tempos de solidão,
Em toda ocasião.
Aquelas horas malditas,
Eram sempre muito aflitas
Faltava-me harmonia.


Texto: Rosário Pinto

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Heroínas Negras Brasileiras, em 15 cordéis



Heroínas Negras Brasileiras, em 15 cordéis

😍
Compareci representando o CORDEL DE SAIA ao lançamento do livro Heroínas Negras Brasileiras, em 15 cordéis, de Jarid Arraes. O evento foi realizado na Blooks Livraria do Botafogo, no Rio de Janeiro, a partir das 19:30h. São 15 cordéis
O livro, uma edição de 176 páginas, ricamente ilustradas, por Gabriela Pires, traz para a cena as mulheres negras que marcaram a história e a cultura brasileira. Jarid Arraes chega com o pioneirismo de trazer para a cena da história brasileira quinze mulheres negras que fizeram a diferença num mundo em que o heroísmo sempre foi masculino e branco. A escolha da literatura de cordel para veicular a saga das heroínas negras no Brasil estabelece um elo com as primeiras autoras de literatura de cordel.
A mulher, no início do século XX, quando os folhetos de cordel proliferaram no Nordeste, na ausência de jornais, rádios e televisão, era descrita como: princesa – obediente e calada diante dos valores paternos, da sociedade e da religião; mãe devotada, esposa exemplar - àquela que protege o lar e filhos dos perigos, defensora da moralidade. O contrário disso era descrito como perigos para a manutenção da estrutura familiar. A mulher que se atrevesse a elaborar versos de cordel era vista como em luta contra o diabo, a serpente e, isto como castigo por suas ações. Valia a repetição da quadra popular abaixo:
“Menina que sabe muito
É menina atrapalhada,
Para ser mãe de família,
Saiba pouco, ou saiba nada.”

Uma das primeiras descobertas de mulher autora de cordel foi, em 1938, Altino Alagoano, pseudônimo de Maria das Neves Batista Pimentel, filha do poeta e editor Francisco das Chagas Batista, com o título O viulino do diabo ou o valor da honestidade. [S.l.]: MEC/Pronascec Rural - SEC/Pb - UFPb - Funnape, 1981.48 p. Maria das Neves Batista Pimentel como a heroína de sua história, também precisou travestir-se de homem para que seu folheto fosse aceito.
http://www.docvirt.no-ip.com/asp/folclore.asp…

sábado, 8 de abril de 2017

No país do esculacho!


E no país em que tudo é relativo, a vida segue por um fio

No país do escracho!

Caros amigos, leitores
Olha só que confusão
Em que suruba danada
Foram meter o povão.
Parece coisa do demo
Tamanha complicação
*
Estes governos revoltam.
Com sua democracia
Que na miséria do povo
É pura demagogia
Parecendo até cinismo
Falar em cidadania
*
Todos dizem  Eu não sabia!
E não fui um presepeiro.
Mas, se tem farinha pouca,
Quero meu pirão primeiro!”
O povo vai se ajeitando,
Talvez saia do atoleiro.
*
Voltamos às privatizações,
Com o Estado falido,
E vendendo o patrimônio.
O povo vive aturdido
Sem saber pra onde correr,
Continua oprirmido.

Vamos voltar para o tempo
Com a luz de lampião
Que afeta nossa vista
Estraga nosso pulmão
Tudo como conseqüência
Da tal privatização.
*
No ponto em que chegamos,
Não existe “data venha”.
Pois, “salvo melhor juízo”,
Na cozinha eu uso lenha
Cada um faz o que pode
Da forma que lhe convenha
*
Para cumprir a medida
Inventaram uma meta,
No consumo lá de casa,
Parece coisa incorreta
Bisbilhotando a vida
De quem anda em linha reta
*
Até o nosso São Pedro
Recebeu sua incumbência
Providenciar que chova
Pela divina clemência!
Assim ficou de plantão
Sem perder a paciência.
*
Ah! Que saudades que tenho
Dos tempos que já se vão
Toda chuva que caía
Anunciava o trovão
Nosso querido São Pedro
Nem pensava em apagão
*
Há governantes que cuidam
Da saúde do povão
Mas aqui é diferente:
Pois o nosso cidadão
Somente é visto e lembrado
Quando chega uma eleição
*
Sofrendo as ameaças
De ver luzes apagadas
As famílias constrangidas
Ficam sempre aperreadas
Banham-se rapidamente
Usam roupas mal lavadas
*
Não se pode ouvir o rádio
Pois na corrente é ligado
Televisão, nem pensar
O lazer foi controlado
A gente tem que ficar
No escuro e abafado
*
Não consigo entender
A tal globalização
O mundo todo alinhado
O Brasil na contramão
Se isto é globalizar...
Fora, a globalização!
*
Hoje as nossas riquezas
Pelo mundo,  empenhadas.
Nossas maiores empresas
Já foram arrematadas
(Em leilões constrangedores)
No país, espoliadas.
 *
O distante dirigente
Quando chega a eleição
Beija o povo ardentemente
Chega perto da nação
Foge dele quando vem
O final da votação
*
O Brasil é sempre jovem
Como país do futuro
Vamos chegar à velhice
Em regime muito duro
Nossas crianças vivendo
Sem conforto e no escuro
*
Até mesmo o futebol
Já está prejudicado
Horário em nossos estádios
Agora está controlado
Para se ganhar a copa
O sonho fica adiado
*
Também como anda a vida
Com as coisas escrachadas
Nossa seleção não ganha
Nem dos times de peladas
Só falta agora perder
As copas já conquistadas
*
Nosso país hoje vive
A grande guerra civil
A violência parece
Ser de pólvora um barril
A continuar assim
Morrerão de mil em mil
*
O povo passando fome
E com a barriga vazia
Já perdeu as esperanças
E também a fantasia
Pagando pelos enganos
Com erros em demasia
*
Sem ter a quem reclamar
Paga conta exorbitante
Liga para o ouvidor
Com ouvidos de mercante
Cansado, o povo desiste,
Do sonho de reclamante
*
Quem tem o dom de poeta
Rimando sente alegria
O cordel é uma luz
Que a todo mundo “alumia”
E não existe apagão
Que apague a poesia.
(Rosário Pinto)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Cordelizando a inclusão


CORDEL DE SAIA E Academia Brasileira de Literatura de Cordel CONVIDAM para o lançamento do livro Cordelizando a Inclusão, literatura de cordel em braile, que será realizando no dia 21 de dezembro de 2016, na Sessão Plenária da ABLC à rua Teixeira de Freitas, nº 5,3º andar, pontualmente às 16:00h

Autores:
Maria Rosário Pinto, Dalinha Catunda, Gonçalo Ferreira da Silva

Organizadores:
Rosangela Silva (IFRJ);Vanderson Pereira (IFRJ) e Waldmir Araujo Neto (UFRJ)

A publicação é fruto de projeto realizado pelo Instituto Federal de Ciência e Tecnologia/IFRJ, Instituto Benjamin Constant e Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ; e, cada autor contribuiu com dois títulos voltados para a inclusão de alunos com necessidades especiais.
Acreditamos que a publicação será de interesse para professores e alunos da rede pública e privada de ensino.
Contamos com a presença de poetas, professores e dos amigos.



terça-feira, 27 de setembro de 2016

*

*
Caros amigos,
Tive o prazer de compartilhar encontros de trabalho com o Mestre Bráulio do Nascimento, quando trabalhei na Biblioteca Amadeu Amaral, do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, para onde destinou sua coleção de folhetos de cordel. Foi um grande incentivador de minhas atividades com a literatura de cordel. Transitou com talento, competência e amor pelo universo do folclore e da cultura popular. Todos nós sentiremos sua falta. Seu trabalho deixa marca presente e viva em nossos corações.
Deixo aqui um carinho do que foi sua presença em minha vida.


Ao Mestre com carinho

Mestre BRÁULIO NASCIMENTO!
Quem é este personagem?
Este gigante festeiro...
Que traz em sua bagagem,
Nosso conto brasileiro.
Num trabalho garimpeiro.
Andou por muita paragem.
*
São muitos e muitos anos
De labuta popular
Conhecedor do escore,
Fez da cultura seu lar.
Fundou a famosa CAMPANHA
Esta, sua grande façanha,
No Folclore navegar
*
Mas não parou por aí
Foi além, muito além.
Estudou os belos contos,
Desde os tempos de Belém.
Os de reis e de rainhas
E também de princesinhas
Fosse um conto ou fossem cem
*
Sua visão sem fronteiras
Semeou muito estudo
Conhecimentos reais.
Foi amigo de CASCUDO
O conto marcou sua vida
Em pesquisa aguerrida
Nunca se ateve ao miúdo
*
Conquistou para a CAMPANHA
A sede pra trabalhar
Transformou em Instituto
Para a FUNARTE brilhar
Sempre querendo expandir
Para o povo refletir
E um lugar pra frequentar
*
No terreno do Palácio,
Perseverante, incansável
Conquistou belo espaço
p’uma obra admirável
Ampliando o Museu
Que representa o plebeu
Instituição sustentável
*
Obrigada, professor
Pela sua companhia
Os amigos deste Centro
Só refletem poesia
Tê-lo conosco, é presente,
Com sua presença frequente
Para nossa alegria
(Rosário Pinto)
(2013)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Natal da minha infância


Natal da minha infância

Naquela data festiva
Natal cheio de esperanças
Meu pai fazia seresta
Para alegrar as crianças
*

Naquela família pobre
Presentes eram cadernos
Mimos? Somente pr’o nobre
Não havia mais alternos
*
Éramos muito felizes
Vivendo de brincadeira
As árvores de raízes
E brinquedo de madeira
*
A gangorra era um tonel,
Com uma tábua por cima
Brincadeira de anel
Adivinhas? Só com rima
*
Era assim, nosso Natal:
Sempre com muita alegria.
Cansados, já no final
Da noite de fantasia
*
E em cada sapatinho,
Colocado na janela,
Tava lá o caderninho

No sapato ou na chinela

*
Nesses Natais de bonanças,

Arroz, cuxá no jantar.

Sete filhos, bem crianças,
Alegres, sempre a cantar


(Rosário Pinto)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Textos publicados




Amigos(as),
Voltando à ativa, ainda que lentamente e, revisitando textos publicados:

Dalinha Catunda [Maria de Lourdes Aragão Catunda]; Pinto, Maria Rosário. Fuxico de mulher. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Literatura de Cordel, 2011. 8 p.;

Meira, Cruesa et al. Cordel na rede social: Creusa Meira X Sônia Ortega e convidados. Salvador: [s. n.], 2011. 24 p

Biblioteca Amadeu Amaral; Pinto, Maria Rosário de Fátima. Catalogação de folhetos de cordel. Rio de Janeiro: Funarte, CNFCP, 2002. 32 p. : il. (Cadernos técnicos ; 1).

Pinto, Maria Rosário. O poeta e o folheteiro: da edição à venda. Campina Grande, PB: Cordelaria Poeta Manoel Monteiro, 2012. 12 p.

Academia Brasileira de Literatura de Cordel. João Firmino Cabral: uma homenagem (in memoriam). Rio de Janeiro, RJ, 2013. 8 p

Pinto, Maria Rosário. A mulher e sua trilha. Juazeiro do Norte, CE: Gráfica HB, 2013. 8 p

Pinto, Maria Rosário. Nas asas do pavão misterioso: 90 anos de sucesso. Campina Grande, PB: Cordelaria Poeta Manoel Monteiro, 2013. 12 p

Louvando Luiz Gonzaga. Rio de Janeiro, RJ: Academia Brasileira de Literatura de Cordel, 2012. 8 p

O universo do cordel. Pesquisa e entrevistas: Pedro Afonso Vasquez, Rosane Karp Vasquez, Textos: Maria Rosário Pinto, Pedro Afonso Vasquez, Fotos: Gustavo Maia, Gustavo Moura, Pedro Afonso Vasquez, Tradução: Carolyn Brissett. Recife: Instituto Cultural Banco Real, 2008. 60 p. il. color.

Pinto, Maria Rosário de Fátima. Memória da literatura de cordel: coleção de folhetos de cordel. In: Recortes contemporâneos sobre o cordel. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2008. p. 67-71. (FCRB Aconteceu, 8);

Artigos em sites e blogs:

Pinto, Maria Rosário de Fátima. IN: http://www.ielt.org/artigos/cientificos

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