Lançamento Nas asas do Pavão misterioso (90 anos de sucesso).
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Nas asas do Pavão misteiroso
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Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Sr. Google
Sr.
Google
Convidei
o Sr. Google
Pra
comigo pelejar.
Ele
respondeu: Não posso,
até
porque não sei cantar.
Mas
procuro na internet
Poeta,
a quem compete,
esta
arte versejar
Corri
depressa à feira.
Lá
buscando o cantador
Com
sua viola em punho.
Num
instante alentador.
Me
disse logo: eu canto
Não
precisa deste pranto
Sou
bom improvisador.
Informei
ao Sr. Google,
Alegre
com a descoberta.
Ele
varreu toda rede
Muito
sério, bem alerta
Encontrou
em outros lugares
Vários
sites populares
Me
deixou boquiaberta.
Finalmente
o Sr Google
Buscando
na wikipédia
Conheceu
outros poetas
Nesta
grande enciclopédia.
Aprendeu
a fazer rima
Ninguém
mais o subestima.
A
vida, virou comédia.
(Maria
Rosário Pinto)
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Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Escola Livre de Literatura de Cordel
Escola
Livre de Literatura de Cordel
Inicio
24/08/2013
Termino:
26/10/2013
Horário:
9hs às 13hs
Aos
Sábados
O
curso será dado pelos próprios cordelistas
Módulo
1: Literatura de Cordel: Origem, características e desenvolvimento
1ª
Aula – 24/08
As
Vertentes e evolução da Literatura de Cordel
9hs
às 11hs – Apresentação do curso, da metodologia e da
bibliografia
11h30
as 13hs – Palestra Gonçalo Ferreira da Silva – Presidente da
ABLC
2ª
Aula – 31/08
Contos
e Causos Populares – Sepalo Campelo e João Batista Melo
Conteúdo:
Poesia, Narrativa, Linguagem Literária, Métrica e Rima
Objetivos:
Encadeamento das ideias e enredo do processo de escrita
Exercício
de Escrita: Trazer na próxima aula dois versos metrificados
Texto
Base: “O Valentão do Mundo” de Severino Milanês
3ª
aula – 14/09
Mitos
e Lendas Folclóricos e Populares – Sepalo Campelo e João Batista
Melo
Conteúdo:
Criação de Personagens (Ficção) e diferenciação da Modalidade
de “Quadra” e “Trova”
Objetivos:
Explicitar a diferença entre as modalidades literárias de “Quadras”
e “Trovas”
Exercício
de Escrita: trazer na próxima aula uma estrofe em quadra.
Texto
Base: “A Lenda do Cabeça de Cuía”; “O testamento de Gege” e
“Florisbela, a Borboleta sonhadora”
4ª
Aula - 28/09
Romance
na Literatura de Cordel – Ivamberto Albuquerque e Rosário Pinto
Conteúdo:
Trabalhar a modalidade “Sextilha”
Objetivos:
Exemplificação e diferenciação do gênero Romance, sua modalidade
e impressão de 32 páginas.
Exercício
de Escrita: Trazer na próxima aula uma estrofe de seis versos.
Texto
Base: “Pavão Misterioso” – Manoel Camilo e A rainha da
floresta - Manoel Camilo
5ª
Aula – 05/10
Nordestinidade:
Regionalidade e Religiosidade – Dalinha Catunda e Ivamberto
Albuquerque
Conteúdo:
Trabalhar a Modalidade de “Setilha”
Objetivos:
Exemplificação da Modalidade “Setilha” no Gênero Religioso,
Regional e de Romarias
Exercício
de Escrita: Trazer na próxima aula uma estrofe de sete versos
Texto
base - “A Chegada do Lampião no Inferno” - José Pacheco,
Milagres e romarias em Aparecida do Norte – Mestre Azulão e A
carta misteriosa do Padre Cicero Romão – José Costa Leite
6ª
Aula - 26/10
Pelejas
e Brigas – Lobisomem e Rosário Pinto
Conteúdo:
Trabalhar a modalidade “Décima”, Martelo Agalopado e Trava
Língua
Objetivos:
exemplificação das modalidades
Exercício
de Escrita: Produção de Estrofe em Décima
Texto
Base: Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum - Firmino
Teixeira do Amaral, Peleja de Antônio Machado com Manoel Gavião - ,
João Martins de Athayde e A peleja de Leandro Gomes com uma velha de
Sergipe
Atividade
Complementares (4Hs):
21/09
– Plenária na ABLC
19/10
– Plenária na ABLC
Serviço:
Escola
Livre de Literatura de Cordel
Inicio 24/08/2013
Inicio 24/08/2013
Termino:
26/10/2013
Horário:
9hs às 13hs
Aos
Sábados
Local:
Casa da Leitura - Rua Pereira da Silva, 86 – Laranjeiras – Rio de
Janeiro
tel
(21) 2557-7437 / 2557-7458
Inscrições pelo e-mail : casadaleituracursos@gmail.com
Inscrições pelo e-mail : casadaleituracursos@gmail.com
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Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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08:03
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Ao Mestre com carinho
Claudia Marcia, Rosário Pinto, Profºr Braulio e Marisa Colnago
Ao
Mestre com carinho
Mestre
BRÁULIO NASCIMENTO!
Quem
é este personagem?
Este
gigante festeiro...
Que
traz em sua bagagem,
Nosso
conto brasileiro.
Num
trabalho garimpeiro.
Andou
por muita paragem
*
São
muitos e muitos anos
De
labuta popular
Conhecedor
do escore,
Fez
da cultura seu lar
Fundou
a famosa CAMPANHA
Esta,
sua grande façanha
No
Folclore navegar
*
Mas
não parou por aí
Foi
além, muito além
Estudando
os belos contos
Desde
os tempos de Belém
Os
de reis e de rainhas
E
também de princesinhas
Fosse
um conto ou fossem cem
*
Sua
visão sem fronteiras
Semeou
muito estudo
Conhecimentos
reais
Foi
amigo de CASCUDO
O
conto marcou sua vida
Em
pesquisa aguerrida
Nunca
se ateve ao miúdo
*
Conquistou
para a CAMPANHA
A
sede pra trabalhar
Transformou
em Instituto
Para
a FUNARTE
brilhar
Sempre
querendo expandir
Para
o povo refletir
E
um lugar pra frequentar
*
No
terreno do Palácio,
Perseverante,
incansável
Conquistou
belo espaço
p’uma
obra admirável
Ampliando
o Museu
Que
representa o plebeu
Instituição
sustentável
*
Obrigada,
professor
Pela
sua companhia
Os
amigos deste Centro
Só
refletem poesia
Tê-lo
conosco, é presente
Com
sua presença frequente
Para
nossa alegria
(Rosário
Pinto)
(2013)
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Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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12:07
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sexta-feira, 19 de julho de 2013
A literatura de cordel na educação
A
literatura de cordel na educação. (por
Maria
Rosário
Pinto)
A
importância de estudar o cordel em sala de aula está sendo
enfatizada em projetos ousados e inovadores, como os que veem
ocorrendo em Campina Grande, Pb, através do poeta Manoel Monteiro da
Silva, que desenvolve atividades na Universidade Rural de Campina
Grande em educação de crianças e adultos; e, o Acorda Cordel,
(http://fotolog.terra.com.br/acorda_cordel:107),
coordenado pelo poeta popular, radialista, ilustrador e publicitário
cearense Arievaldo Viana Lima, em Fortaleza, Ce., Sávio Pinheiro,
médico, também cearense e, que dirige suas temáticas para a área
de saúde pública, em especial à saúde da mulher; Josenir Lacerda,
do Crato, Ce, volta suas temáticas para as plantas medicinais dentre
outros assunto; Dalinha Catunda, Ipueiras, Ce, residente lá e cá no
Rio de Janeiro, preocupa-se com a mulher, do ponto de vista da defesa
de seus direitos, além de narrar fatos do cotidiano do sertão e da
cidade, todos, membros da Academia Brasileira de Literatura de
Cordel, dentre outros tantos poetas e poetizas que, hoje estão
preocupados em divulgar seus trabalhos e despertar o interesse
público para esta forma tão simples de observar a natureza
ambiental, social, política e humana.
Inserir
a literatura de cordel nas salas de aula, em todas as fases do
ensino: fundamental, segundo grau e, também para a alfabetização
de adultos, justifica-se face ao caráter lúdico e informativo, além
de constituir-se em importante ferramenta para o estudo da
estruturação poética – verso, métrica, rima, ritmo e oração.
A
literatura de cordel é um veículo que permite ao povo participar da
vida do país, debater a realidade, expressar suas necessidades e
aspirações. Retratando tradições, costumes, lendas e
acontecimentos; e, trazendo consigo todo um conjunto de manifestações
artísticas e culturais. Sua importância é inestimável para a
história e para o folclore - não apenas do Nordeste, mas de todo o
país.
Situar
a literatura de cordel no Brasil – como aqui chegou, onde melhor se
adaptou e como se desenvolveu e continua sua rota de sucesso, por
meio da oralidade dos cantadores/repentistas, e de veículo de
comunicação como o rádio, televisão, cinema, as asas da internet,
que a faz percorrer o caminho de volta a Península Ibérica, agora,
como gênero genuinamente brasileiro, implica qualidade e
responsabilidade.
Observar
que a maioria dos poetas, por estarem comprometidos com suas
comunidades e com os acontecimentos do Brasil e do mundo, em geral,
abordam temáticas de interesse geral, sob várias formas e conteúdos
temáticos como:
ABÊCE
– forma de composição em que o poeta de cordel inicia as estrofes
de seu poema seguindo a seqüência de letras do alfabeto - (A) a
(Z). É composto em sextilhas (estrofes de seis versos) ou setilhas,
(estrofes de sete versos) e aplica-se a qualquer tema conforme
ilustração ainda Franklin
Maxado Nordestino [Franklin de Cerqueira Machado]. O
cordel do cordel. São
Paulo: [s.n.], 1982. 8 p
“(...)
No
Brasil ele ficou
Chamado
de abecê
Ou
de folheto de feira.
Você
pode isso ler.
E
ficou mais no Nordeste
Com
seu povo a sofrer.
BIOGRAFIA
(tratam da vida e obra de personalidades religiosas, políticas; e do
universo das ciências, letras e artes);
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Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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07:06
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domingo, 7 de julho de 2013
A expressão feminina na literatura de cordel
CORDEL DE SAIA apresenta os resultados de participação em encontro realizado pelo IFRJ. A recepção de professores e alunos foi extremamente agradável e produtiva.
Pesquisar no YOUTUB:
A Expressão Feminina na Literatura de Cordel
Publicado em 18/06/2013
Orientadora: Andrea Motta
Orientandas: Aline Ribeiro e Sabrina Veloso
Câmeras: Camila Lima e Raphaela Machado
Edição: Camila Lima
Agradecimentos: Dalinha Catunda e Rosário Pinto
Orientandas: Aline Ribeiro e Sabrina Veloso
Câmeras: Camila Lima e Raphaela Machado
Edição: Camila Lima
Agradecimentos: Dalinha Catunda e Rosário Pinto
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Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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segunda-feira, 1 de julho de 2013
A mulher e sua trilha, por Maria Rosário Pinto
Cordel de Saia oferece aos seus leitores mais um folheto de produção feminina. A mulher e sua trilha,
2013, de Maria Rosário Pinto, publicado pela HB Gráfica de Juazeiro do
Norte. Se desejar adquirir, solcite para rosariuspinto@gmail.com
Deixe seus comentários, obrigada
A
mulher e sua trilha
Divina
musa! inspirai-me
Para
narrar uma história
Que,
os menestréis me contaram.
Mulheres
de amor e glória,
Ilustraram
os romances
De
beleza e vitória
2
Meus
poetas cordelistas
Hoje,
venho vos narrar,
As
histórias do passado,
De
princesas vou falar,
Vivendo
encasteladas,
Querendo
o amor desfrutar
3
E
muitas destas princesas
Em
noites de escuridão
Choraram
por seus amores
Naquela
horrível prisão
Sonhando
contos de fadas
De
amores e paixão
4
Mas
isto foi lá na Europa
Aqui
a vida é mais dura
Não
há príncipe encantado
Somente
a desventura
Marcada
pelo cangaço
E
um mundo de amargura
5
Sem
desfrutar do amor
Mulheres,
quase meninas,
Transformaram
suas vidas
Num
castelo de ruínas
Filhas
de pais muito austeros
Amargaram
tristes sinas
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Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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08:58
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quinta-feira, 20 de junho de 2013
NOTÍCIA de PUBLICAÇÃO NA WEB - confira
ROSÁRIO PINTO informa que foi publicado artigo, Grandes romances e a
mulher na literatura de cordel, 1º capítulo , foi analisado e
publicado no portal Webartigos.com em 13 de junho de 2013, no
endereço:
Espero
que possa acrescentar algum conhecimento e também curiosidade
literária.
Meus
agradecimentos aos amigos que puderem deixar aqui seus comentários.
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Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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06:03
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terça-feira, 4 de junho de 2013
ANTOLOGIA
– 25 ANOS DE ABLC
A
ABLC
- Academia Brasileira de Literatura de Cordel,
fundada no dia 7 de setembro de 1988, fará portanto, 25 anos de
existência em setembro de 2013.
Diante
de data tão expressiva, não poderíamos deixar de prestar nossa
homenagem a esta entidade cultural que tem contribuído de maneira
aguerrida na difusão e promoção do cordel.
Acho
que agora, cabe a cada um de nós honrarmos como devemos nossa
cadeira na ABLC. E como poderíamos fazer isto? Participando da
antologia sobre os 25 anos da nossa Academia.
Poderão
participar da Antologia da ABLC, além do colegiado da casa,
Beneméritos e poetas convidados.
Cada
página do livro custará 100,00 ao participante que poderá
participar com quantas estrofes quiser, na modalidade que desejar. Os
textos poderão também ser em prosa.
Os
textos deverão ser entregues no mais tardar até 15 de outubro.
O
pagamento deverá ser feito na entrega dos textos, diretamente ao
presidente Gonçalo Ferreira, ou depositado na conta da ABLC,
enviando a cópia do boleto por e-mail.
Nº
da Conta:CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
AG:
3223-9 - CONTA POUPANÇA (OP 22) – Nº 59-2.
Informações
sobre a história da ABLC no seu site: www.ablc.com.br
Informações
sobre a antologia com o presidente da ABLC - Gonçalo Ferreira da
Silva
Cordialmente,
Texto:
Dalinha Catunda
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Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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13:23
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terça-feira, 26 de março de 2013
Grandes romances e a mulher na literatura de cordel, 1º capítulo
Os grandes romances na
literatura de cordel, pelo olhar dos valores veiculados, em especial à condição
dos direitos da mulher
Já publicado no sitio CORDEL DE SAIA, ensaio mais genérico
intitulado A produção feminina na
literatura de cordel – um novo olhar. Agora, retomo os grandes romances,
mas focada nos valores tradicionais veiculados, em especial àqueles que dizem
respeito à condição da mulher, na trajetória da literatura oral. É peculiar
observarmos que até os nossos dias ainda não se tenha legislação definida de
proteção aos direitos da mulher. Li, recentemente, PARECER do Comité Económico e Social Europeu sobre a Erradicação da violência doméstica contra
as mulheres (parecer de iniciativa) Relator: Mário Soares, apresentado em Bruxelas, 18 de setembro de 2012.
Fiquei perplexa com os dados ali apresentados, especialmente por se referir a
União Européia, Imagine, agora, a quantas andamos no Brasil?
Vamos, então, aos nossos romances.
Em
linhas gerais os grandes romances poéticos seguem padrões similares aos
romances em prosa, acompanhe alguns aspectos, como: critérios rigorosos de
forma, conteúdo e apresentação.
Forma
-
estabelecer
nas primeiras estrofes, sempre em sextilhas, como sempre nos alertou Rodolfo
Coelho Cavalcante e tantos outros poetas, o enunciado do tema que vão narrar;
-
explicitar
o caminho de suas narrativas;
-
criar
a expectativa para o “grande final”
– se vitoriosos ou trágicos;
-
chamar
a atenção do leitor para o processo
narrativo (modalidade poética; metrificação; e formatação física): sextilhas,
7 sílabas, 32 páginas, tamanho 12 x 15cm; e,
-
cuidar
bem da elaboração da capa; da
seleção do título (o mais sugestivo que a imaginação do poeta lhe permitir),
também são atributo essenciais ao sucesso do romance.
Performance
-
o narrador-poeta é peça fundamental para obter
a atenção do ouvinte-leitor – sua entonação, suas pausas propícias, estabelecem
um clima de tensão, mantendo o ouvinte-leitor atento e curioso para o desfecho
da narrativa. Os primeiros romances poéticos vindos de tradições orais, e como
tal, eram cantados e/ou declamados em
praças, feiras e festas públicas. Destacando aí o importante papel do cantador,
que de feira em feira, cidade em cidade, eram os responsáveis pela vendagem dos
“romances”. Sobre a figura da cantador escrevi o poema O poeta e o folheteiro, 2012, publicado pela Cordelaria Manoel
Monteiro, Campina Grande, Paraíba.
-
Venda: à época das grandes produções
tipográficas, a conquista da venda, diferente dos romances em prosa, dependia
da performance do cantador e/ou declamador. O desembaraço, a perspicácia e
astúcia, eram fatores determinantes para garantir a boa vendagem.
Os
romances são norteados por ingredientes comuns, tanto em prosa como em versos:
Temas
-
o
amor, encantamento e aventura, são os mais recorrentes e
continuam a chamar a tenção do leitor, mesmo no dias atuais;
-
a
figura da mulher é presença marcante em todos os romances e, vale a pena
acompanhar sua trajetória. Escrevi o poema A
mulher e sua trilha, ainda inédito.
Nos
primeiros grandes romances a figura da mulher sempre esteve presente e
apresentada sob vários pontos de vista:
-
a
esposa-mãe, zelosa de seu marido e casamento e da guarda e educação dos filhos,
esta foi a principal característica atribuída à mulher naqueles tempos, nos
romances medievais, lá na Europa;
-
a
mulher sob a ótica do divino: a virtude das santas, e das musas, a filha
obediente e casta, acima qualquer suspeita de conduta (a pura e casta), a quem
dirigem seus apelos pela capacidade de inspiração poética:
Manoel
Camilo dos Santos, um de nossos grandes romancista inicia o romance com todos
os apelos comuns aos grandes narradores. Veja em A rainha da floresta e a
fera humana, (1958), todos estes ingredientes, fundamentais. Veja abaixo:
”Eu combinei com Apolo
Com Minerva e com Diana
Para escrever essa história
Que até o título é bacana
A rainha da floresta
Inclusive a fera humana.”
Segue
deixando claros os papéis da mulher (esposa / filha / meretriz). Chama a
atenção para as consequências do rompimento dos valores estabelecidos, seja por
vontade própria seja por infortúnio (assalto, roubo, “sedução” ou outra
agressão qualquer).
“(...)
A donzela
que não desse
valor a honestidade
estragasse o seu papel
de pudor e castidade
tinha que ser castigada
com grande severidade
E quando uma dessa estava
esperando a descansar
assim, que focava boa
o rei mandava botar
o seu filhinho nas matas
p’ra qualquer fera devorar.
Dizia o rei: - eu não quero
geração de meretriz
sabemos que a má árvore
só dar o fruto infeliz
e o filho de bom casal
deixa a nação feliz.”
Estabelece
aí a dicotomia do BEM e do MAL, de acordo com os valores morais e sociais
vigentes.
Nas
primeiras estrofes abaixo o poeta descreve reino em que há somente um herdeiro.
Entretanto, acontece o imponderável para um reinado feliz: a morte súbita do
rei, que deixa seu filho, Valdomiro, na orfandade:
“(...)
Quando o príncipe Valdomiro
Já contava nove anos
o sopro da desventura
veio perturbar seus planos
a desdita deu-lhe um beijo
com seus lábios desumanos
Veio a morte de surpresa
roubou-lhe a felicidade
matou seu querido pai
ainda na mocidade
envolvendo Valdomiro
no manto da orfandade”
À
quinta página do folheto, como nos bons romances, o poeta faz uma pausa e...
anuncia mudar de assunto, mudar o rumo da prosa. Este anúncio é mais um gancho
a ser conectado mais à frente...Veja:
sábio rei
tinha sido condenada
A tal moça de quem falo
chamava-se Teodora
tinha dezenove anos
linda como a deusa Flora
porém, o seu sofrimento
se eu contar o leitor chora.
Foi vítima de sedução
de um malandro infiel
o qual retirou-se quando
manchou da jovem o papel
obrigando a miserável
beber a taça de fel.
Ela ocultou-se do povo
para não à ver talvez
mas coitada quando estava
nos atos da gravidez
o vassalo prendeu ela
com tamanha estupidez.
E disse para o carrasco:
quando ela descansar
não terá nem o direito
de ao filho amamentar
leve a criança p’ra mata
e lá é p’ra degolar.”
O
leitor pode observar a dureza do tratamento impingido às mulheres que por
vontade ou ingenuidade rompiam com os valores tradicionais.
A
partir desse momento o poeta narra a morte da mãe, não socorrida e a entrega da
criança sobrevivente ao carrasco, que, por pena, diante de sua beleza, não
executa sua tarefa, ao contrário, a abandona no deserto... Neste deserto
morava uma velha feiticeira, que viu um homem abandonar um embrulho e sair
correndo... A feiticeira desconfiou e...
aproximando-se do local, encontra a criança! Toma para sim os cuidados e a
batiza de Flor dos Campos e, informa:
“(...)
Assim foi ela crescendo
com seu gesto de princesa
só tendo sido a propósito
da Divina Natureza
que até Venus invejava
a sua grande beleza.”
Neste
ponto nosso narrador retoma a história do reinado do principezinho Valdomiro. O
rei, seu pai antes de morrer, encarregou um sábio amigo para conduzir o reinado
até a maioridade do príncipe. Como em todo romance, o sábio torna-se um
déspota, odiado por todos, que almejam vê-lo destronado.
“(...)
O leitor sabe que o rei
já próximo de ser finado
deixou um sábio na corte
como único encarregado
até quando o princepezinho
pudesse ser coroado”
Com
tantas idas e vindas, em meio aos assuntos que tocam a continuidade do romance.
Na página 10 informa:
“(...)
Leitor aqui faço ponto
neste assunto e me retiro
porque me vejo obrigada
navegar em outro giro
irei falar um momento
sobre o príncipe Valdomiro”
A
tal bruxa (figura esteriotipada da mulher fora dos padrões morais vigentes) também
odiava o rei por ter mandado jogar nas matas a criança. Então, entendendo ser
Valdomiro o mentor do feito, mandou sequestrá-lo e o transformou num monstro.
Então nosso narrador insere mais ingredientes de magia e encantamento a sua
narrativa.
O que permeia a
narrativa?
-
valores
do poder patriarcal, moral e repressivo;
-
a
já citada esposa-mãe – voltada para
a castidade do o lar, o marido e os afazeres domésticos “Oh! Mulher, esposa e mãe”;
-
a
mulher vinculada ao “mal”: a esposa adúltera, a filha desobediente e o
conseqüente castigo: a expulsão do núcleo familiar e social para uma vida
apontado como a “sina”, a “sorte” das serpentes do mal, em que só lhe
cabia a prostituição, qualificada como, meretriz, ingrata e suja;
-
a
mulher submetida às mais duras arbitrariedades e invasão de seu direito mais
básico: a condição humana;
-
ela
própria colocando-se na posição de infratora, transgressora, quando, na verdade
lhe são tirados os direitos à educação, ao conhecimento, à informação, que lhes
daria outra posição diante das “seduções”, de que são vítimas por ignorância.
Este quadro de violência leva a mulher a reproduzi-lo, delegando à sorte, à
sina, todo o repertório de violência a que é submetida. Observe:
“Foi vítima de sedução”
E
segue em sua culpabilidade:
“Ela ocultou-se do povo
para não à ver talvez”
Mais
adiante o castigo emocional é ainda mais severo e drástico. Dela retira o
direito ao afeto primordial – a amamentação
“E disse para o carrasco:
quando ela descansar
não terá nem o direito
de ao filho amamentar”
-
ainda
a mulher marcada pela dicotomia do BEM X MAL – a ingenuidade seduzida, e a
feiticeira, marcada por valores negativos, mas única capaz de rever o código
moral vigente, pela sagacidade e magia;
-
a
mulher como objeto de desejo e inspiração
“que até Venus invejava
a sua grande beleza
Somente
a partir da década de 90 com a plena expansão da mulher como contribuinte
social, seu papel torna-se mais ameno. Já neste momento com advento das grandes
mídias da comunicação social, o espaço para a participação da mulher com personalidade
“de ombro a ombro” com o homem, estes estigmas ficam de lado, mas... Nessa
altura os grandes romances já deixam de ser produzido.
A
proliferação das mídias tirou dos poetas o público leitor e ouvinte de
romances, não valia mais a pena editá-los, os custos não compensavam. Ficamos
assim com as composições de 8 e 18 páginas, voltando-se para os fatos
cotidiano, as narrativas de contos e causos, que levam ao leitor a
possibilidade de leitura rápida e também interessante face ao valor de cada
poeta, homens e mulheres.
E
de tanto ler e trabalhar com a literatura de cordel fui agraciada com o Prêmio
Mais Cultura, Edição Patativa do Assaré, 2010, com o folheto Catalogação de cordel, 2011
A
combinação com os deuses lhe garante o sucesso. Clic ou copie o link para ler o
folheto na íntegra.
Bibliografia:
C0805
Santos,
Manoel Camilo dos. A rainha da floresta.
Editor Proprietário: Manoel Camilo dos Santos. Campina Grande: A Estrella
da Poesia, 1958. 32 p
C0554
Barros,
Leandro Gomes de. Os martírios de
Genoveva. Editores proprietários: Filhos de José Bernardo da Silva.
Juazeiro do Norte: São Francisco, 1974. 48 p.
C6519
Pinto, Maria Rosário. Catalogação de cordel. Rio de Janeiro, RJ: Academia Brasileira de Literatura de Cordel, 2011. 16 p. 29 estrofes : sextilhas : 7 sílabas
Pinto, Maria Rosário. Catalogação de cordel. Rio de Janeiro, RJ: Academia Brasileira de Literatura de Cordel, 2011. 16 p. 29 estrofes : sextilhas : 7 sílabas
C6849
Pinto,
Maria Rosário. O poeta e o folheteiro: da edição à venda.
Campina Grande, PB: Cordelaria Poeta Manoel Monteiro, 2012. 12 p. 26 estrofes :
setilhas : 7 silabas
C6487
|
Maria
Rosário Pinto
Rio
de Janeiro, março 2012.
Postado por
Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
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18:39
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