Sorriso largo...

domingo, 27 de janeiro de 2013

Ritos de passagem

Rito de passagem é
Situação bem difícil,
Às vezes, é sacrifício.
A felicidade é
Sentir-se assim, mulher.
Para a mãe, dores do parto,
Com o filho, eu reparto,
Toda a perplexidade,
Depois, a felicidade,
Se ao Rito se ativer.
*
Mas há Ritos dolorosos,
Que só trazem dissabores,
São os manipuladores,
São aqueles acintosos,
De aspectos asquerosos
Por perversos orquestrados,
Em cargos empoleirados,
Tramados, só em surdina,
Que a todos subordina,
Às vezes, são gangrenosos
*
CUSPIR é má educação
É expurgo extraído,
E, quando é expelido,
Vai direto para o chão
E não há qualquer senão.
Sem responsabilidade,
Só reflete a maldade.
Quem o faz é incapaz,
Mas, parece que lhe apraz,
Expurgar sua maldade.
(Rosário Pinto)
Imagem da internet

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

MENSAGEM DE NATAL

A pomba da PAZ

Voa, pombinha, voa
O mais alto que puder
Vá levar o meu abraço,
aos amigos "bem me quer"
No bico, carrega o trigo,
No coração, um abrigo.
Para aquele que vier
(Rosário Pinto/dez/2012)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Releia Revista O CRUZEIRO


Um poema para João: revista O CRUZEIRO
*
Este rapaz tudo sabe,
Muitas coisas, ele já leu.
O que posso oferecer
Neste doce jubileu?
Carrinho? Será bobagem
Já passou por sua bagagem,
Porque ele, já cresceu!
*
Um presente pra João!
Neste dia especial
Eu quero oferecer.
Uma ideia genial
Venho à mente florescer:
O que posso oferecer?
Este link especial !
*
Amigo, João navegue
Por toda essa história
De um tempo muito antigo.
Passado de muita glória
A revista O CRUZEIRO
Não tem preço ou dinheiro
Que apague sua memória

(Rosário Pinto, com todos os beijinhos que ele merece)
Rio de Janeiro, 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

Patativa é inspiração

(Rosário e Campinense)
Nesta tarde de domingo, 25/11/2012, eu, o poeta Antonio de Araújo, Campinense, participamos do lançamento, na Feira de São Cristóvão, dos títulos Catalogação de cordel e Casa de farinha, contemplados pelo Edital Mais Cultura/MinC, Prêmio Patativa do Assaré, 2010.
*
Patativa é o meu mestre,
Nele busco inspiração
Foi sempre muito amado.
Se doou, de coração
Fez do verso seu recado,
Deixou ao mundo um legado,
De Poesia e canção.
*
(Bule-Bule e esposa, eu  e Chiquita)
Almoçamos no Restaurante da Chiquita, que nos recebeu com carinho e sabores especiais. 
O lançamento foi realizado no Espaço Feira de São Cristóvão, da ABLC. Presentes os amigos, João Melo, Campinense, Fernando, Bule-Bule, Chico Sales e Sepalo Campelo.  
O Box da ABLC na Feira  está aberto ao público e pronto para receber estudantes e pesquisadores da literatura de cordel. Oferece títulos de vários autores e diferentes temáticas.
*
Fotos: Rosário Pinto
Consulte ainda:
http://cordeldesaia.blogspot.com e
http//cantinhodadalinha.blogspot.ccom

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Homenagem ao DIA DO POETA CORDELISTA

Nesta postagem presto homenagem ao meu  patrono JOSÉ BERNARDO DA SILVA, vendedor ambulante, poeta e editor. Zé Bernardo, como era conhecido, com a criação da Tipografia São Francisco,  tornou Juazeiro do Norte um dos maiores e mais expressivos polos de de produção de folhetos de cordel.
Leia nos versos abaixo, minha pequena homenagem a este vulto da produção de folhetos de cordel.
"(...)
Um outro grande editor,
ZÉ BERNARDO, este um romeiro,
Vendendo quinquilharias
Seguiu para o Juazeiro,
Encontrou pelo caminho
Viajando em seu burrinho
O vendedor folheteiro.
*
Ele que de longe vinha
Pra cumprir sua promessa
Conhecer o Padre Cícero,
Andava sempre depressa
Pra chegar no dia certo
Estava, portanto, "alerto"
Isto ao Padre, ele confessa."

Zé Bernardo, foi vendedor, tipógrafo e  poeta. Mas, confessava humildemente:
"(...)
Não sou poeta vus digo,
Mas com rima arranjo o pão
Sou poeta e impressor,
Sou bom na composição
Sou chapista e impressor,
Sou bom na composição (...)"
*
Deixe AQUI sua homenagem aos grandes mestres da literatura de cordel. Arte que atravessa gerações, mantendo-se sempre coesa com os princípios da tradição da oralidade.

Texto: Rosário Pinto
Foto: Dalinha Catunda




terça-feira, 30 de outubro de 2012

Obrigada Josenir Lacerda!

*
Não por vaidade, mas por orgulho de ter o reconhecimento de poetiiza do calibre de Josenir Lacerda, trago seu depoimento sobre meu folheto O poeta e o folheteiro, 2012.
Penso que para qualquer um de nós, o AVAL de Josenir é de suma importância. Agradeço também o constante estímulo da amiga e parceira no Cordel de Saia, Dalinha Catunda que me prestigiou com a confecção da capa.Obrigada poetizas!

"Cara Poetisa Rosário Pinto,
bom dia!

Recebi sua correspondência e os vinte exemplares do seu cordel: O POETA E O FOLHETEIRO.
Li atentamente e apesar de não possuir as credenciais necessárias que me autorizem a julgar, devo dizer que na minha modesta e particular opinião, achei excelente.
Parabéns! Creio que este cordel a consagra definitivamente como cordelista.
De agora em diante, o seu compromisso com a literatura de cordel se faz maior, pois você mesma irá se cobrar para manter o padrão e aprimorar cada vez mais.
O cordel ficou completo: a capa da nossa polivalente Dalinha, muito criativa e digna representante da arte naif, as apresentações impecáveis e a impressão gráfica excelente.
Parabéns!!!!!!
(…)
Um grande abraço e que você receba sempre a visita da musa, para gerar novos cordéis desse quilate." (Josenir Lacerda)
Se desejar, deixa AQUI seus comentários ou os envie para 
rosariuspinto@gmail.com

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

CACHAÇOTECA em Maria da Graça, RJ

A Cachaçoteca do poeta
Moreira de Acopiara

Na casa de Wiliam Pinto
Eu fico muito à vontade.
É grande o prazer que sinto
Na sua propriedade.
É bonita e vasta a casa
E o seu dono não se atrasa
No momento da soneca.
E agora pra completar
Resolveu inaugurar
Bonita cachaçoteca.

Wiliam Pinto é dentista
De excelente qualidade,
Mas, como bom cordelista,
Tem sempre uma novidade.
Nordestino como eu,
Aqui se estabeleceu,
Criou força na munheca
Para arrancar muito dente,
E está bastante contente
Com sua cachaçoteca.

Wiliam como dentista
Cresceu e multiplicou,
Mas foi como cordelista
Que ele mais nos alegrou.
Ama Gonçalo Ferreira,
E acredita que Moreira
É fonte que nunca seca.
Conhece muitas bodegas,
Mas gosta mais dos colegas
Aqui na cachaçoteca.

Nesta residência cara
O tempo depressa passa.
Desejo saúde para
Degustar cada cachaça,
Desde as que vêm de Salinas,
Das regiões nordestinas,
Italiana, sueca
E outras regiões distantes
Para enfeitar as estantes
Aqui da cachaçoteca.

Nesta rica residência
A gente fica à vontade,
Adquire paciência,
Encontra tranquilidade,
Vive novas alegrias,
Recompõe as energias,
Relaxa, joga peteca,
Come, bebe, almoça e janta,
Lê, declama, toca, canta
E curte a cachaçoteca.

Eu já estive aqui antes
Com o companheiro Geraldo,
Bardo dos mais importantes,
Que eu admiro e aplaudo.
Por aqui nós declamamos,
Vendemos livros, ganhamos
Uma bem vinda merreca.
Mas tudo dentro da linha.
Nesse tempo ainda não tinha
A nossa cachaçoteca.

É casa de nordestino!
Aqui se come pirão,
Fava, orelha de suíno
Misturada com feijão,
Curte a melhor poesia,
Bota as conversas em dia...
Se a gente bobear, peca,
Perde o rumo, perde a graça
Bebendo tanta cachaça
Aqui na cachaçoteca.

Quem vem a esse ambiente
Regressa de alma serena
E quer voltar novamente,
Relembrar madrinha Mena,
Essa mulher de valia
Que na nossa Academia
Mais parece uma boneca,
Cuja beleza não some,
E agora empresta o seu nome
À nossa cachaçoteca.
*
(Rosário lendo Moreira de Acopiara)
Fotos : Dalinha Catunda

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Centenário de MANUEL DIÉGUES JUNIOR


Venha participar conosco!
Deixe aqui seu comentário

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O poeta e o folheteiro

O trabalho com a catalogação de folhetos de cordel, na Biblioteca Amadeu Amaral/CNFCP/Iphan/MinC, por mais de quinze anos de estudos diários para oferecer a melhor forma de recuperação dos conteúdos de cada autor/folheto, me levaram ao atrevimento da composição poética. A literatura popular me acompanha desde criança na figura de meu pai, leitor voraz de Zé da Luz, Catullo da Paixão Cearense, dentre tantos outros. Hoje me sinto  à vontade para exibir meus versos e, certamente aberta às intervenções dos  demais poetas, por quem criei afeto e admiração. A eles, agradeço o estímulo que tenho recebido. Este folheto foi editado pelo mestre Manoel Monteiro da Silva, á quem dedico meu especial agradecimento. À amiga e parceira Dalinha Catunda, do blog Cordel de Saia, sou grata pela generosidade das revisões e do desenho de capa. Vamos lá, leia


   O poeta e o folheteiro

1

Dois figurões importantes
Neste mundo do cordel,
Um compõe o outro vende
Cada qual faz seu papel,
Marcando assim, uma vida
De poesia, sortida
Divulgando o menestrel
2
LEANDRO foi precursor
A narrar toda esta saga
Do folheto  de cordel
Que até hoje se propaga
Por este Brasil inteiro
Por isto que o pioneiro
Da lembrança não se apaga...
3
Poeta e grande tipógrafo
Seus romances imprimia
Entregando ao folheteiro
Que logo os distribuía
A correr feiras e vilas
Com o povo fazendo filas
Para comprar poesia.
4
Poucos recursos havia,
O comércio era precário
Mas, sustentou muita gente,
Vendendo de: Abecedário
Aos Romances de Amor,
De Aventura, de Terror,
Pelejas e Anedotário.
5
Por sítios, vila e cidade,
Viajando toda a vida
Seu Leandro produzindo
E o folheteiro na lida
Apurando alguns mil réis,
Com a venda dos cordéis
Tinha a renda garantida.
6

O folheteiro enfrentava
Todo impasse e obstáculo
Andando de sol a sol
Em busca do espetáculo
De ver o povo sorrir
Pensar, amar, refletir
Fazendo do verso oráculo.
7
LEANDRO compôs mais de mil
Títulos que foram vendidos,
A tipografia era
Um trabalho de aguerridos
O seu eterno borralho
Foi montando o cabeçalho,
Folheteiros atendidos
8
As ferramentas mudaram
Esta bela profissão
O folheteiro hoje vende
Folhetos em profusão,
Mas, nas Redes Sociais,
Não nas feiras naturais
Como foi na ocasião.
9
O folheteiro capaz
Na sua incansável lida
Nunca teve outro ofício
E assim impelia a vida
De carroça ou Jumento
Levando contentamento
E tendo boa acolhida.
10
Mas LEANDRO adoeceu,
Deixando um acervo abundante
Que a viúva resolveu
Vender e no mesmo instante,
ATHAYDE, um homem rico,
Propôs à viúva: Eu fico!
Comprando todo o montante.
11
A evolução do mundo
Muda a distribuição,
Hoje em Bancas de Revistas
E livraria são
Expostos e oferecidos
Nossos cordéis que são lidos
Nas escolas da nação.
12
Naqueles tempos de outrora
ATHAYDE rebanhou
Cegos e homens do povo
Por bom preço os contratou
P’ra venderem seus livretos,
Cordéis hoje, ontem folhetos,
Que LEANDRO lhe deixou.
13
Em seu nome colocou
Toda aquela produção
Os seus e os de Leandro
Sem qualquer má intenção
Pois naquele tempo as Leis
Sem quaisquer Decretos-Leis
Não tinham divulgação
14
DELARME tinha um estoque
Para distribuição
JOÃO JOSÉ o procurou
Precisava ganhar pão
No Beco do Seridó
Muito empenhado que só
Montou ali seu Galpão.
15
Negócio de pouca monta,
Porém de grande amplidão,
Apesar da pouca renda
Dava ganho e profissão
Para os distribuidores
Todos eles vendedores
Dali tiravam seu pão
16
Um outro grande editor,
ZÉ BERNARDO, este um romeiro,
Vendendo quinquiharias
Seguiu para o Juazeiro,
Encontrou pelo caminho
Viajando em seu burrinho
O vendedor folheteiro
17
Ele que de longe vinha
Pra cumprir sua promessa
Conhecer o Padre Cícero,
Andava sempre depressa
Pra chegar no dia certo
Estava, portanto, “alerto”
Isto ao padre ele confessa.
18
Sempre havia aquele que
Fazia todo o papel
De escrever e imprimir,
Vender por ser menestrel;
Fez do folheto seu lema
Tendo o sertão como tema
E o verso como corcel.
19
MINELVINO foi um deles,
Bardo, gráfico, menestrel,
Imprimiu, criou, vendeu,
Foi sempre esse o seu papel,
Tinha muita produção
Ensinou toda a lição
Sua vida era um tropel.
20
RODOLFO COELHO veio
Juntar a categoria
De poeta a cantador
Criando a benfeitoria
De um CONGRESSO pioneiro
De TROVADOR E VIOLEIRO
Para orgulho da Bahia
21 
Espalhou pelo Brasil
Um ideal altaneiro
Com esse primeiro Congresso
De Trovador e Violeiro
No ano 55
Implantou com grande afinco
Ecoou no mundo inteiro
22
Para conhecer melhor
Seus poetas, cantadores
Que corriam este país
Com versos acolhedores
Dessa poesia impressa
COELHO fazia remessa
Aos seus distribuidores.
23
O jornal daquele tempo
Era os versos de um cordel,
JOSÉ SOARES, que era
O repórter menestrel
Se o rádio dava a notícia
Ele, com muita perícia,
Passava para o papel...
24
Foi repórter de seu tempo,
Narrava com precisão
As notícias que ouvia
Com a metrificação
Nunca perdeu uma rima
Sempre com ela se anima
Mantendo boa oração.
25
Para não interromper
O ato da criação
Vou expondo, à vontade,
Resquícios de uma visão
Que já publiquei em prosa
A verdade desta ação.
26
Estes versos que vieram
De tanta leitura feita
Deixo aos poetas, colegas,
Dirimir qualquer desfeita
Deixe aqui seu comentário
Ou faça um abecedário
Dessa memória imperfeita
(Rosário Pinto)
Rio,de Janeiro,  2012

Títulos publicados:

Pinto, Maria Rosário. Catalogação de cordel. Rio de Janeiro, RJ: Academia Brasileira de Literatura de Cordel, 2012. 16 p

Biblioteca Amadeu Amaral; Pinto, Maria Rosário de Fátima. Catalogação de folhetos de cordel. Rio de Janeiro: Funarte, CNFCP, 2002. 32 p. : il. (Cadernos técnicos; 1).

O universo do cordel. Pesquisa e entrevistas: Pedro Afonso Vasquez, Rosane Karp Vasquez, Textos: Maria Rosário Pinto, Pedro Afonso Vasquez, Fotos: Gustavo Maia, Gustavo Moura, Pedro Afonso Vasquez, Tradução: Carolyn Brissett. Recife: Instituto Cultural Banco Real, 2008. 60 p. il. color. Edição bilíngue: português e inglês

Contato:


Deixe aqui seu comentário





sábado, 22 de setembro de 2012

MEMÓRIA POÉTICA


GOLPE MILITAR DE 1964 E O VEIO POÉTICO

A igreja está sem padre,
Sem fiel e sacristão;
O exército tomou conta,
Instalou sua guarnição.
*
O exército está na rua,
O povo ficou calado;
Só escreve pensamento
Pra depois ser publicado.

Reproduzo o link http://radioporan.blogspot.com.br/, com a crônica e os versos do poeta Guaipuan Vieira, que visitando o baú de suas memórias, nos traz notícia e um fato que as novas gerações não viveram, mas que temos obrigação de lhes informar. Foram tempos pesados, mesmo para crianças e adolescentes, que tiveram seus sonhos podados numa idade de descobertas. No caso do nosso confrade, a descoberta do gosto pela poesia. Deixo aqui os versos, mas leiam a notícia, com um simples clique no link apontado acima.

MEMÓRIA PARA NÃO ESQUECER

Poeta, posso entender
Sua mágoa, sua dor
Do silêncio abafador,
Não devemos esquecer,
Nosso ânimo arrefecer.
Tudo era proibido,
No sistema descabido,
No saber, só a censura,
Sem lugar para a ternura
Na vida, só padecer!
(Rosário Pinto)

Entre versos, crônicas e notícias, vamos fazendo nosso papel – divulgar a notícia em todas as suas formas. Aqui na poética do poeta menino.
 Deixe AQUI o seu comentário e/ou verso. Precisamos manter viva essa memória para que este tipo de intervenção não mais nos aconteça, seja por força, ideologia ou credo. Nossas vidas necessitam de liberdade para produzir e florescer em todos os campos da atividade humana.