Sorriso largo...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

DICA DA SEMANA

Esta janela destina-se a oferecer “dicas” para leitura de folhetos de cordel disponíveis nos Acervos Digitais do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/CNFCP/Iphan/MinC – www.cnfcp.gov.br
O termo “Dica da Semana” foi sugerido pelo colega de trabalho, o bibliotecário Marcos Vinícius de Assis.
A “dica” vai para o folheto :

C5262
Rouxinol do Rinaré [Antônio Carlos da Silva]. Salomão e Sulamita, o cântico erótico do amor. Fortaleza: Tupynanquim, 2006. 16 p.; e,
Mulher, deusa da beleza. In: Salomão e Sulamita, o cântico erótico do amor. Fortaleza: Tupynanquim, p. 13-14.
Observe a beleza, a seriedade da pesquisa e a precisão dos versos, que seguem o registro da coerência entre métrica, rima e oração. Não deixe de ler as páginas 15 e 16, com O grande encontro de Rouxinol do Rinaré com Salomão.
Acervos Digitais: Cordelteca/Biblioteca Amadeu Amaral
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/CNFCP/Iphan/Minc
Veja também:

terça-feira, 5 de outubro de 2010

DOMINGO DE ELEIÇÕES 2010 !

 Fiquei pensando nesses dias de pré-eleição - debates, encontros, entrevistas, notícias, viagens em lombo de jegues, beijos em criancinhas carentes... tudo tão maquiado, preparado, ensaiado mesmo. Não se fala em informar políticamente o eleitor... parece que não convém... Deu uma tristeza... Como pode um fato tão relevante ser levado aos limites da leviandade ? ... É mesmo uma pena 
Domingo de eleições !

Eu estava bem feliz
Depositei o meu voto
Na Marina apostei
Apertei em sua foto
Estava bem confiante
Me sentindo atuante
Não contei com o "canhoto"

Que chegou sorrateiro
Usando d. Marina
Para o caos anunciar
Espalhando gasolina
Para fogo atear
E ninguém acreditar
Na conquista da Marina

Ela foi forte e guerreira
De nada se amedrontrou
Usou a sinceridade
Seu discurso manejou
Com armas de harmonia
Sem apelar pra covardia
Seu futuro assegurou !

Veja ainda: 
http://cordeldesaia.blogspot.com
Foto: Rosário Pinto

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O bom poeta faz assim...

Caros amigos,
Enviei para a colega Josenir Lacerda um link recebido pela internet de Fred Astaire e Rita Rayworth dos velhos tempos e, claro, brotou uma estrofe das mais singelas e bela. Vejam lá.

file:///C:/Documents%20and%20Settings/rosario/Meus%20documentos/Downloads/Fred%20Astaire%20e%20Rita%20HayWorth.wmv



Fred Astaire, Rita Rayworth
Emblemas de um tempo lindo
Saudade silenciosa
Chega no peito, invadindo
Embora o rosto molhado
Lacrimejando o passado
A alma agradece rindo

(Josenir Lacerda)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Em quem votar ?

Caros poetas e amigos,
É chegada a hora do voto obrigatório... mas, em quem votar ? Cada dia aumentam nossas dificuldades na seleçao de candidatos ao parlamento em quem possamos, realmente, ter confiança !

*
Eles chegam de mansinho
Beijando nossas crianças
Oferecendo favores
E fazendo suas tranças
Para nossos descendentes
Em todas as suas andanças
*
Precisamos informar
Sobre suas intenções
Sabemos o que eles querem:
Só ganhar as eleições
Quando chegam ao poder
Já não querem nem saber
Dos pobres lá dos sertões
*
Eu ainda tenho fé
No amadurecimento
De todos os eleitores
Firmando seu pensamento
Votando com consciência
E com muita pertinência
Mostrando conhecimento
 
Maria Rosário Pinto
 rosariuspinto@gmail.com
http://rosarioecordel.blogspot.com
Acesse também:
http://cordeldesaia.blogspot.com

 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Poesia de caderninho

Quem de nós, na sua adolescência e juventude não escreveu poesias de caderninho! Penso que todos nós e, isto só depõe a nosso favor... Fomos felizes e precisamos relembrar estes momentos.... portanto, decidi postar uma Poesia de Caderninho, daqueles de bons amores e sabores:

Poesia de caderninho
 1
Amigo! àquele abraço.
Marcou para mim a noite
A conversa importante
Soou como um açoite
Não de dor, mas de promessa,
De outras, à boca da noite!
2
Aquele abraço declarou
Uma noite de harmonia!
A conversa interessante!
Enchia-me de alegria.
Que outras noites viriam,
Meu coração repetia.
3
Poderemos conversar
Sobre nossa empatia
Você me contando histórias
Lá da selva, onde havia
Pajés, árvores gigantes
Só histórias de magia
4
O Pajé contou-lhe lendas
De arrepiar coração
Você me fez o relato,
E trouxe muita emoção
Sei que eram bem reais,
Contadas com exatidão.
5
Não me ache atrevida
Por lhe enviar este verso
Em meio a tantos na vida
Descobrimos o inverso...
Falar a dois é melhor
Não se fica tão disperso
6
Fixamos amizade
Em um minuto somente
Bastou-nos um forte abraço
Para brotar a semente
De uma amizade sincera
De caráter ascendente
7
Coisas que sempre ouvi
Contadas por quem as viveu
Contando suas histórias
De amores e saudade
Ah! como seus olhos brilham
Falando de liberdade
8
A liberdade é um bem
Que devemos resguardar
Ela é nosso tesouro
E na alma deve estar
Se o corpo aprisiona
Ela vem nos libertar
9
Não há torres, nem algemas
Que possam aprisionar
Um coração amoroso
Com o amor a cantar
Se prisões nos acorrentam
O amor vem resgatar
10
O poeminha aquele
De caderninho que fiz
Foi para chamar a atenção
De alguém que sempre quis
Chegar mais perto e dizer:
 "- Você, há muito me diz"
11
Tinha o calor do desejo
E o afago de um anseio
Senti bater em meu peito
Um tão grande devaneio
Que pensei dentro da alma
- Será que estou nesse meio?
12
A emoção que senti
Que alegria me deu
Era como uma criança...
Uma curiosidade!
Sei que haverá outra vez
Pra dizer: Amigo, valeu! 

(Rosário Pinto)  Abril 2010
Acesse também: http://cordeldesaia.blogspot.com

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cobra criada - resposta

Resposta
 1
Dalinha! Não recuperei,
Aqueles versos que fiz
Mas, fiquei tão desolada,
E com a alma infeliz,
Que agora te mando outro
Mas sem a mesma matriz.
2
Dalinha, você não é cobra,
Cobra, sei, você não é
Se uma cobra você fosse
Que seria essa mulher?
Ela é uma faladeira
E não sabe nem quem é
3
Parece uma cascavel
Ou será uma enguia?
Além de cobra é feia
Valei-me Virgem Maria!
Não tendo o que fazer
Na janela, ela vigia
4
Dia e noite, noite e dia,
De “botuca” na janela
Deixa a panela no fogo,
E a barriga vazia
Coladinha no portal
Todo o tempo ela espia
5
Dia e noite, noite e dia,
Os cotovelos ralados
Ela ainda não notou
Seus olhos esbugalhados
Cheios de maledicências
Só olhando para os lados
6
Tem sempre muitos babados
Pra falar da vida alheia
Acredita nas mentiras
Que sua mente semeia.
Vou deixar essa vizinha,
Cuidando da vida alheia
7
As fofocas que semeia
Não merecem tanto espaço.
Vou então, parando aqui,
Sem criar muito embaraço
Essa mulher fofoqueira,
Inda vai ver seu fracasso

(Rosário Pinto)
Veja também:
http://cordeldesaia.blogspot.com
    julho 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Independência que virá...



Dalinha Catunda postou no Cantinho da Dalinha belos e fortes versos sobre nosso país que intitula lucidamente de Agüenta pátria amada! - poesia veemente, um verdadeiro grito de tristeza e de ALERTA!. Devemos sempre lembrar os fatos que envergonharam nossa história e dizê-los claramente, Conquistamos a liberdade de livre pensar, escrever e do falar, mas ainda nos falta incutir vergonha em algumas de nossas caras públicas.  É um engodo falar de abastança, quando sabemos que a fome, a miséria, a saúde precária, a educação deficiente ronda nossas vidas e de nossos semelhantes.
Pesquisando na internet encontrei uma das minhas grandes paixões literárias – JOÃO CABRAL DE MELO NETO. E não poderia de citar o trecho abaixo, apenas mais um dos tantos e fortes e belos desse grande autor brasileiro:

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.”
*****
 1
Fiquei mesmo a matutar
Nestes versos ora lidos
Pensando no que seria
Aqueles tempos vividos
Essa tal independência
E de que modo viria
2
Nos meus tempos de escola
Sofri medo e angústia
Não podia conversar
Tudo virava injuria
O Estado vigiava
Bem de perto a academia
3
Jovens com ideais
Pensando mudar a vida
Mais saber e mais leitura
Para situação mais munida
Plena de discernimento
E a vida menos bandida
4
Pelo que a história nos diz
Pelo tanto que vivemos
Não queremos repetir
O passado que tivemos
Dias de medo e dor
Vivíamos nos extremos
5
Sem censuras às leituras
Sem queimar A Capital
Do nosso Eça leal
Virou-se na tumba abissal
Não pensou que a ignorância
Neste item era total.

Rosário Pinto
Rio, set 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mês do folclore

MÊS DO FOLCLORE
Durante o mês do folclore
É sempre tempo de festa
Tem brinquedo e brincadeira
Mas também tem a seresta
Canções, rezas e benditos
Contos, parlendas e mitos
E histórias da floresta

Tem lenda de assombração
De menino malcriado
De príncipe e princesa
De cangaceiro abusado
De camponês a roçar
De quadrilha pra dançar
De Seu Lunga mal humorado

Foi pelas mãos da parteira
Que o mundo nos viu chegar
Nossos avós confiavam
Nos saberes do lugar
Nas rezas e rezadeira
Isto não é brincadeira
É ciência popular 
 
Medicina popular
É nossa cultura oral
Tradição familiar
Este grande cabedal
Atravessa geração
É saber do coração
Da ciência informal

A nossa literatura
Tem os versos bem marcados
O poeta de cordel
Deixa todos amarrados
Verso, rima e oração
Em ritmo de canção
Martelos agalopados.
(Maria Rosário Pinto)
rosariuspinto@gmail.com
Rio, agosto 2010
Fotos: Equipe: Biblioteca Amadeu Amaral

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Programa da ONU para o Desenvolvimento

POETAS ! ! ! INSCRIÇÕES ATÉ 10 DE AGOSTO

Recebi da pesquisadora Rosilene Melo do PALAVRA CULTURA e repasso a todos os poetas. Vamos lá ?

De: Rosilene Melo <rosileneamelo@gmail.com>
Data: 28 de julho de 2010 11:12
Assunto: [Palavra Cultura] Chamada para cordelistas participarem do Relatório de Desen...
Para: rosariuspinto@gmail.com

Não perca essa grande chance,
meu amigo cordelista,
de escrever os seus bons versos,
aumentando a nossa lista
dos que querem paz no mundo,
e, então, respire fundo,
e seja um valoroso artista!

Se você já se pergunta
quem promove este evento:
É o Programa da ONU
para o Desenvolvimento,
almejando reunir
poetas pra resumir
ideias e pensamentos.

São pensamentos do povo,
que deseja ser feliz,
e que depois de uma pesquisa,
disse o que sempre quis:
o que falta, na verdade
pra mudar a realidade,
nosso coração que diz:

Com Valores, há Respeito
e Responsabilidade;
se há também Compreensão,
aí, temos Liberdade,
pois conviveremos bem,
sem discriminar ninguém,
essa é nossa vontade.

Mande dois de seus bons textos,
pra gente selecionar
os poetas que irão
com a gente participar
de oficina, por dois dias,
cobrimos as estadias,
café, almoço e jantar.

E, claro, também daremos
todo o custo da viagem.
Para isso, precisamos
receber sua mensagem,
informando-nos seus dados,
e, quem sabe, logo em breve
arrumará sua bagagem?

Diga o seu telefone,
endereço e o que faz.
Conte um pouco de você
e alguma coisa a mais.
Mande até 10 de agosto
e ocupe o seu posto.
Corra e não fique pra trás.

***
Todas as inscrições postadas com o carimbo de 10 de agosto serão recebidas. A escolha do lugar da oficina dependerá do lugar de onde tivermos o maior número de selecionados. Escreva para
Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
EQSW 103-104 Bloco D
CEP 70670-350 - Brasilia DF

Para qualquer dúvida escreva para flavio.comim@ undp.org ou ligue para (61) 30389105.
Postado por Rosilene Melo no Palavra Cultura em 7/28/2010 11:11:00 AM


Contatos Rosilene Alves de Melo:
(83) 8814-1410
(88) 9922-1410


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mulheres poetas

Mulheres poetas

1
Dalinha, vou aceitar
Seu convite pra cantar
Cantaremos as mulheres
Em seus cordéis a fiar
Na peleja também tem
Mulher a desafiar
2
No Ceará conhecemos
As mulheres cordelistas
Publicando seus folhetos
Começando a dar nas vistas
Rimando com maestria
Nunca perdendo as pistas
3
Os poetas reconhecem
Sua métrica e sua rima
Aperfeiçoando os versos
Que ninguém subestima
E recebendo o apoio
Dos poetas lá de cima
4
Você sabia, Dalinha
Que Altino era alcunha?
De uma mulher de valor...
Que sequer pintava unha
Pintava mesmo era verso,
Sem pudor e sem mumunha?
5
Alargando os espaços
Construindo oração
Aprimorado os versos
Com amor no coração
Descobri os pseudônimos
Com orgulho e emoção
6
Crato hoje é celeiro
Das mulheres cordelistas
Preparando os seus versos
Arrumando suas listas
Cordelando muitos temas
Provando que são artistas
7
Quando Leandro criou
Sua velha sergipana
Que desafiava homens
Na mansão ou na cabana...
Ele inventou a peleja.
Disso, ninguém se engana.
8
Vinha não sei se era
De Sergipe ou de Canudo
A verdade é que deixou
Nosso Leandro iracudo!
Nunca pensou que um dia
Receberia cascudo
9
Aquela velha danada
Se dizia araripana,
Mas Leandro apostou
Achou que seria bacana
Peleja com uma mulher
Mesmo sendo sergipana.
10
Quem diria, miga Dalinha,
Q’eu uma peleja faria
Você me incentivando,
Tempos atrás, eu temia
Q’os poetas descobrissem
A tamanha ousadia!

(Maria Rosário Pinto)
Rio, 15 de julho 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Edital Concurso Sílvio Romero – 2010


O Prêmio Sílvio Romero de Monografias sobre Folclore e Cultura Popular é oferecido pelo IPHAN, por seu Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – CNFCP, com o fim de fomentar a pesquisa, estimulando a diversidade e a atualização da produção de conhecimento no país voltada para esse campo de estudos.

Os trabalhos deverão ser entregues ao Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, na Rua do Catete, 179 – Catete – Rio de Janeiro – RJ – Cep. 22.220-000, impreterivelmente até às 18:00 horas, do dia 30 de julho de 2010, ou remetidos pelos Correios, sob registro, até a data indicada, sendo o carimbo da postagem o comprovante para a observância do prazo.

Veja o Edital, na íntegra no Portal do CNFCP


quarta-feira, 9 de junho de 2010

As férias da Chefia


Recebi o seu email e,
atenderei o seu pedido.
Enquanto Cê tá de férias
Eu rezo e faço pedido,
P'ra que eu tenha também
Meu descanso merecido

Férias é pra quem pode
As minhas só em abril
Você tá em Punta Canas
Eu, na puta que o pariu!
Aproveite bem os dias
Veja que o sol abriu

Ligarei para su mami
Porque você é gentil,
Mas não vá acostumando
Pois quando chegar abril
Mostrarei para você
Cordel de Saia explodiu

Se ficar muito ansiosa
O nosso blog acesse
Cordel de Saia, nas bocas
Não diga: “ninguém merece!!!!”
Nós estamos trabalhando
Mas a saudade acontece

Logo na sua ausência
Do alto da “congestão”
Ampliamos os recursos
Contratamos de montão
Foram muitos servidores
Sem grande complicação.

Um colega foi sentando
Na cadeira da Chefia
Exclamando em altos brados:
- Hoje ganhei meu dia
Ninguém me tira daqui
Vou ser chefe por um dia!

(Maria Rosário Pinto)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cirandas infantis



Vamos fazer uma grande roda poética e cada um de nós deixará aqui seus comentários em versos. Penso que ficará bem lúdico, tal qual a Ciranda.(Maria Rosário Pinto)

domingo, 28 de março de 2010

Caderno técnico n° 1 - Catalogação de folhetos de cordel/CNFCP/IPHAN/MinC (Maria Rosário Pinto)


http://www.cnfcp.gov.br/pdf/Acoes_CNFCP/manualCORDEL.pdf

Caderno técnico publicado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, com o objetivo de padronizar as informação básicas para a catalogação, indexação e disponibilização em banco de dados, com o objetivo de facilitar a busca dos usuário.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O folheto de cordel: suas formas e seus conteúdos

A literatura de cordel é, hoje, objeto de pesquisa, tendo despertado o interesse de pesquisadores e editores especializados. O folheto de cordel, fonte de informação e entretenimento apresenta a sua elaboração três aspectos, que compõem a peça gráfica: capa, miolo; e, contracapa. O miolo concentra os conteúdos - em que o poeta realiza sua produção poética. As composições são elaboradas sob várias modalidades de composições coerentes entre si: o verso, o tema, a oração e o ritmo. Até final do século passado, os folhetos eram, em sua maioria, impressos em pequenas tipografias e vendidos em feiras populares ou praças públicas. Até hoje, a figura do cantador destaca-se neste universo emprestando sua voz para a divulgação e venda de folhetos. São também os responsáveis pelas cantoria e desafios.

Peça gráfica
A apresentação gráfica do folheto de cordel contém informações de autoria, título e direitos de propriedade ou editora/tipografia. Os aspectos físicos do folheto de cordel são:

Capa
— apresenta-se com ilustrações em desenhos, clichês, policromias e xilogravuras. É na capa que encontramos o título do folheto e a autoria. Franklin Maxado Nordestino em O cordel do cardel, 1982, referindo-se às capas de folhetos nos diz:
“ (...)
Muitos são os gravadores,
Fazendo xilogravuras
Que ilustram suas capas
E páginas com figuras,
Trabalhando em madeiras.
Sejam moles ou bem duras”

Miolo — A literatura de cordel realiza-se sob formas de composição e conteúdos coerentes entre si sendo os abecês, de 8 páginas; contos e cantorias de 8 a 16 páginas; e, romances, de 32 ou 48 páginas.

Conteúdo
- O poeta de cordel é um observador do mundo, do meio social em que vive e, assim, distribui suas observações em versos, por meio de grandes temas da literatura de cordel, o trecho poético, de Franklin Maxado Nordestino, em O cordel do cordel, 1982, aponta para alguns dos temas mais recorrentes:

“(...)
O cordel tem seus folhetos
Que também são biográficos.
Têm os que descrevem exemplo,
Mas também os pornográficos,
E têm os que dão notícias,
Parecendo jornais gráficos.

Tem os romances de bichos
Misteriosos, mandingueiros,
Que falam, cantam, casam.
Tem os heróis milagreiros,
Mágicos, cômicos, históricos,
Irônicos ou macumbeiros.

Os de pelejas são célebres
Como a de Zé Pretinho,
Cego Aderaldo, Bandeira,
Fabião e Passarinho,
Ana Roxinha, Milanês,
Riachão e Canhotinho.”

Abecê – forma de composição em que o poeta de cordel inicia as estrofes de seu poema seguindo a seqüência de letras do alfabeto - (A) a (Z). É composto em sextilhas (estrofes de seis versos) ou setilhas, (estrofes de sete versos) e aplica-se a qualquer tema conforme ilustração do poeta Franklin Maxado Nordestino em O cordel do cordel, 1982.
“(...)
No Brasil ele ficou
Chamado de abecê
Ou de folheto de feira.
Você pode isso ler.
E ficou mais no Nordeste
Com seu povo a sofrer.”

Biografia — folhetos que relatam a biografia de grandes personalidades, seja da história, da filosofia, do mundo político, intelectual, artístico, religioso, etc. São inúmeros os folhetos que tratam da vida e obra de políticos como Getúlio Vargas; filósofos, como Platão; religiosos como Frei Damião, Padre Cícero e sobre a vida de Papas de todas as épocas.

Cangaço — folhetos que relatam as lutas travadas por grupos de cangaceiros. São conhecidos como folhetos do Ciclo do cangaço. Apolônio Alves dos Santos nos fala do cangaço no folheto Façanhas de Lampião, [19--].
"(...)
Quem conheceu a história
do cangaço do sertão
conta detalhadamente
a vida de Lampião
foi com este que obtive
esta real descrição.

Como ainda tenho lances
arquivados na memória
já porque outros poetas
não chegaram ter a glória
de contar nem a metade
deste sua longa história.”

Cantoria, Desafio e Peleja— a arte de cantar a poesia, por meio de desafio entre dois cantadores. As cantorias ou pelejas são sempre iniciadas e terminadas por sextilhas e apresentam-se sob várias modalidades como as sextilhas de cantoria, galopes, martelos, mourões; dentre outros. Encontramos também as pelejas em que o cantador narra desafios guardados na memória, como nos evidencia Manoel Messias em Peleja de Manoel Messias com Francisco Carolino, [19--]:

“Vou traduzir da lembrança
com otimismo e bom tino
uma peleja que tive
com Francisco Carolino
cantador muito afamado
lá no torrão nordestino.”

O folheto Peleja de Manoel Camilo com Antonio Correia [19--], de autoria do próprio Manoel Camilo dos Santos mostra a variedade de temas percorridos pelos poetas e cantadores.

“Muita gente já conhece
Quem é Antonio Correia
Um cantador conhecido
Da capital à aldeia
A quem se pode chamar
Um vate de musa cheia.

Porque Antonio Correia
Tem ciência e elemento,
Conhece bem a Botânica
E canta com fundamento
Geografia e Lunário
Novo e velho Testamento.”

Educação — folhetos que abordam temas educativos é cada vez mais freqüentes, especialmente, em momentos de grandes campanhas de educação: saúde pública, preservação do meio ambiente, (enchentes, queimadas e secas). O poeta Manoel Santa Maria em seu folheto Defenda-se contra o cólera, 1992, oferece sua colaboração na divulgação das políticas de saúde pública.

“Não vou lhes brindar com nada
Artístico no momento.
Serei breve e objetivo
Para lograr meu intento.
Minha função é didática,
No Cordel que ora apresento.

Em Grego, no masculino,
Era “o cólera”, mas não
Sou filósofo pra entrar
No âmago dessa questão.
Sou apenas cordelista
De alma, corpo e coração!

Segundo as autoridades
Sanitárias eis aqui
Os cuidados a tomar.
Pesquisei e converti
Em versos simples, diretos,
Neste Cordel que escrevi.

É uma infecção aguda,
Contagiosa, causada
Pelo Vibrião Colérico,
E que se não for tratada
Com a urgência devida
Decreta o fim da fornada!”

E o poeta segue sua jornada esclarecedora sobre as medidas a serem tomadas para evitar a contaminação, finalizando com a estrofe:
“(...)
Finalizando, eu espero
Que este folheto lhe ajude
Contra o cólera, porém
A higiênica atitude
É sua melhor defesa,
Tratando-se de saúde!”

Lenda — As lendas brasileiras constituem tema dos mais recorrentes na literatura de cordel, como nos mostra o poeta Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, nos folhetos Lenda da Vitória Régia, 1997; Lenda do Caipora, [19--]; e, Lenda do Saci Pererê, [19--], dentre tantos outros:
“(...)
Quem conhece um Saci
conservará na lembrança
um moleque brincalhão,
peralta que não se cansa
ou seja: um gênio lendário
com espírito de criança.

Notícia — folhetos que tratam de notícias de interesse público, fatos de grande repercussão no
mundo, como: chegada do homem à lua, escândalos políticos e sociais, tragédias (World Trade Center), desastres aéreos, ferroviários, rodoviários fluviais ou marítimos, crimes, guerras, etc. O folheto, nos seus primórdios, supria a carência de veículos de comunicação como jornais, revistas, rádios e televisão. Este importante papel é reforçado nos versos de Mestre Azulão, em O que é literatura de cordel?, [19--], em que esclarece o valor do cordel como fonte de informação e notícia:
“(...)
Esta cultura tem dado
Informação e ensinos
As escolas do nordeste
Para adultos e meninos
Servindo como jornais
Que levam das capitais
Para os sertões nordestinos”

E segue ressaltando o valor e a credibilidade das informações contidas nos folhetos de cordel e
divulgadas em feiras e praças públicas pelos poetas e cantadores:
“(...)
Repentista e cordelistas,
São conhecidos demais
Seus repentes e cordéis
São verdadeiros jornais
Que levam pra todas feiras
As notícias brasileiras
E internacionais.

Confiam mais no poetas
Porque são muitos fiéis
Desconfiam dos jornais
Que mentem nos seus papéis
Dizendo em praças e feiras
Que notícias verdadeiras
São aquelas dos cordéis.”

Romance — O termo remete para o Romanceiro popular brasileiro, aos romances e folhetos orais e escritos, cantados ou recitados, cuja estrutura herdada da Europa adaptou-se aos temas e vozes nordestinas, que tratam de grandes narrativas de guerras, viagens ou conquistas marítimas, feitos heróicos e de aventura. São fragmentos das epopéias medievais conservados na memória do povo e transmitidos pela tradição oral.

O primeiro verso de um romance é sempre marcado por um apelo às musas inspiradoras, observe o verso de Severino Borges da Silva, em Ali-Babá e os 40 ladrões, [19--]: “Dai-me musa dos poetas”; à inspiração divina, em Amor de mãe, de Severino Borges da Silva, [19--]: “Já que Deus dá a ciência”; à atenção dos leitores em A cigana feiticeira, [19--], de Caetano Cosme da Silva: “Neste livro, o bom leitor”; ou mesmo, uma afirmativa contundente, como no verso de Cícero Vieira da Silva em Um amor supliciado nas grades da dentenção, 1958: “O amor quando penetra.

1 (*) NOGUEIRA, Maria Aparecida Lopes. O cabreiro tresmalhado: Ariano Suassuna e a universalidade da cultura. São Paulo : Palas Athena, 2002

Edição, distribuição e venda

Os primeiros folhetos foram manuscritos passando, posteriormente para textos impressos em tipografias tradicionais, localizadas, principalmente, no Nordeste. O papel mais usado, nos primórdios da produção de folhetos, era o manilha, de baixo custo e boa aderência à tinta tipográfica. Destacaram-se editores como João Martins de Athayde, natural de de Cachoeira de Cebolas (hoje denominada Itaituba, município de Ingá do Bacamarte, PB; José Bernardo da Silva; e João José da Silva, dentre tanto outros. Com a atividade editorial destes poetas e editores criou-se uma vasta rede de distribuidores de folhetos por todo o país. Franklin Maxado Nordestino, em O cordel do cordel, 1982, informa sobre os primeiros editores:
“(...)
Seus poetas são também
Editores e vendedores.
Saem lendo e cantando,
Procurando os leitores
Que gostam das novidades
E versos de mil amores.”

Athayde foi o maior editor de folhetos de cordel de todos os tempos, tendo inciado suas atividades de poeta-editor em 1909, influenciado pelo mestre Leandro Gomes de Barros. Em 1921 comprou os direitos autoriais do velho poeta, falecido em 1918 e, tornou-se, durante mais de 20 anos, detentor exclusivo dos maiores clássicos da literatura de cordel, tendo vendido seu acervo (a obra de Leandro, a sua e de outros poetas ao alagoano José Bernardo da Silva, em 1949. No folheto História da literatura de cordel, José Antônio dos Santos o define:

“João Martins de Atahyde
Quando Leandro morreu
De sua esposa comprou
Parte do acervo seu
Dos direitos autorais
Fez o que bem entendeu”

José Bernardo da Silva, alagoano, vendedor ambulante chega a Juazeiro do Norte, CE, em 1920 e, decide comercializar alguns folhetos de cordel, nas feiras da região. O sucesso da inciativa o leva a tornar-se impressor; e, posteriormente, um dos maiores editores do Nordeste, funda a Tipografia São Francisco. Inicia, assim, sua vida de tipófrafo e poeta. Se auto-define nos versos:

“ Não sou poeta vos digo
Mas com rimas arranjo o pão
Sou bom na composição.
O meu saber se irradia,
Conheço com perfeição.
Agradeço esta opulência
À Divina Providência
E ao Padre Cícero Romão”

João José da Silva, poeta pernambuco, proprietário de uma das maiores folhetarias da década de 50, a Luzeiro do Norte, em Recife, também iniciou-se na poesia de cordel como revendedor/distribuidor, como nos mostra o poeta Delarme Monteiro da Silva no folheto Cordel, repente e canção, [19--]:
“(...)
Certo dia em meu balcão
Surgiu um tal João José
Numa roupinha “sambada”
Tamanco velho no pé
Perguntou pro meu irmão
O seu Delarme, quem é ?

Então eu me aproximei
A ele fui atender
João José me perguntou
- O senhor pode dizer
Se aqui vende folheto
Para a gente revender

Hoje, com a modernização dos recursos gráficos são poucas as tipografias tradicionais; ampliam-se as editoras dedicadas a este tipo de publicação, preparando seus originais em computadores e realizando impressões em modernas máquinas gráficas A literatura de cordel também está presente na internet, como tema, assunto de pesquisa, ou através de poemas publicados por cordelistas que dela se utilizam para veicular seus folhetos. Vale citar o folheto A internet no reino da rapadura, [20--], do poeta João Batista Melo, nos versos que seguem:

“Certo dia eu tava em casa
na minha vida informal
lutando no dia-a-dia
neste momento global
quando ouvi alguém gritar:
Ô poeta venha cá...
chegue aqui no meu quintal...”

Era a vizinha do lado
de nome dona Gildete
mãe de oito “capetinhas”
desses de pintar o sete
que queria porque queria
que eu fizesse em poesia
algo sobre a INTERNET

Me propus então versar
essa jovem genial
que está mudando o mundo
de forma fenomenal
criando Elo e cadeia
tornando tudo uma aldeia
neste contexto global

(...)
Para muitos ela é visagem
espírito da Caipora
a Sereia dos novos tempos
pelos espaços afora
que em fração de segundo
consegue dá volta ao mundo
com a notícia na hora

Dispondo do seu trabalho
se tem o mundo à mão
se “navega” à vontade
sem medos de colisão
só com um teclar de dedos
o mundo perde segredos
e se ganha informação.”

Contracapa — também conhecida como “página editorial” – é a página em que o poeta registra
sua biografia, editores, patrocinadores e distribuidores. Podemos encontrar também, orações, mensagens, horóscopos da astrologia popular, propaganda política, notícias de organizações poéticas, etc.

Bibliografia

Tesauro de Folclore e Cultura Popular Brasileira. Disponível em: www.cnfcp.gov.br
SANTOS, José João dos (Mestre Azulão). O que é literatura de cordel? Japeri, RJ : [s.n., 200-].
BARROS, Leandro Gomes de. Peleja de Riachão com o diabo. Fortaleza : Editora Tupynanquim, 2001.
_____. O cachorro dos mortos. São Paulo : Prelúdio, [19--]. 32 p.
_____. Os sofrimentos de Alzira. São Paulo : Luzeiro, [19--]. 32 p.
MELO, João Batista. A internet no reino da rapadura. Niterói : [s.n.,19--].
MESSIAS, Manoel Messias. Peleja de Manoel Messias com Francisco Carolino :Juazeiro do Norte : Tip. São Francisco, [19--].
NORDESTINO, Franklin Maxado. O cordel do cordel. São Paulo: [s.n.], 1982.
_____. O cordel televivo, futuro, presente e passado da literatura de cordel. Rio de Janeiro: Codecri, 1984.
SANTAMARIA, Manoel. Defenda-se contra o cólera. Araruama: [s.n.], 1992.
SANTOS, Manoel Camilo dos. Peleja de Manoel Camilo com Antonio Correia. Campina Grande Ed. Prop. Manoel Camilo dos Santos : A Estrela da Poesia, 1958
SILVA, Delarme Monteiro da. Nordeste, cordel, repente, canção. Bezerros, PE: Ed. Prop. J. Borges, [19--].
SILVA, Gonçalo Ferreira da. Lenda do Saci Pererê. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Literatura de Cordel, [200-].
_____. Lenda do Caipora. Guarabira : Tipografia Pontes, [19--].
_____. Lenda da Vitória Régia. Guarabira : Tipografia Pontes, [19--].
LIMA, Viana, Arievaldo; VIANA, Klévisson, e, Zé Maria de Fortaleza. A didática do cordel. Fortaleza : Editora Tupynanquim, 2005.
SANTOS, Apolônio Alves dos. Façanhas de Lampião. Rio de Janeiro : Ed. Prop. Apolônio Alves dos Santos, [19--].
SILVA, Severino Borges da.Ali-Babá e os 40 ladrões. Recife : Ed Prop. João José da Silva, Luzeiro Norte, [19--].
SILVA, Severino Borges da. Amor de mãe. São Paulo : Luzeiro, [19--].
SILVA, Cosme da Silva.A cigana feiticeira. Recife. Ed. Prop. João José da Silva : Luzeiro do Norte, [19--].
SILVA, Cícero Vieira da. O amor nas grades da detenção. Campina Grande : Ed. Prop. Manoel Camilo dos Sanatos : Tipografia Santos, 1958.
NOGUEIRA, Maria Aparecida Lopes. O cabreiro tresmalhado: Ariano Suassuna e a universalidade da cultura. São Paulo : Palas Athena, 2002.

Maria Rosário Pinto
Biblioteca Amadeu Amaral
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN/MinC
www.cnfcp.gov.br
rosario.folclore@iphan.gov.br
Academia Brasileira de Literatura de Cordel
www.ablc.com.br
ablc@ablc.com.br
Membro titular da cadeira nº 18 patronímica de José Bernardo da Silva

Catalogação de cordel

Catalogação de cordel
1
Caros amigos, leitores
Venho aqui para explicar
Neste trabalho exaustivo
De quem vive a pesquisar
A maneira mais correta
Do cordel catalogar
2
Mas com verso de cordel
Há que ter muito cuidado
Se o cabra não for bom
Vai ficar atrapalhado
Escrever muita besteira
Ficar desarticulado
3
No Centro Nacional
De Cultura Popular
Acervo de cordel é
Referência singular
Poeta de toda parte
Vem aqui depositar
4
Seus folhetos de cordel
Para conosco gravar
A Memória permanente
Da cultura popular
A Cordelteca respalda
A poesia popular
Seu valor tradicional
5
Em cordel, na informática
Da Amadeu Amaral
Dentro de nosso sistema
Código é dado especial
Local, então, nem se fala
É coisa fundamental
6
Nosso Registro é fiel
A polêmica é autoral
O acróstico, identifica
Título é fundamental
Cada qual dando notícia
Da história universal
7
A Responsabilidade
É como se apresentar
E se for proprietário
Vale à pena assinalar
Constar Série é muito raro
Edição deve constar
8
Imprenta, que nome estranho!
Nada mais que o lugar
Onde o folheto foi feito
Pense em prensa pra informar
A gráfica é importante
Mais importante é datar
9
Descrição que coisa louca
Páginas, estrofes, versos
Identificar a métrica
Olhando estilos diversos
Se galope, se mourão
E outros mais controversos
10
Nas Notas vale dizer
Sobre o visual da capa
Se é feito em xilogravura
Ou se é desenho à tapa
E sempre o primeiro verso
Ajuda a montar o mapa
11
Chega a vez dos Descritores
Outro nome complicado
Nada mais do que o assunto
No cordel catalogado
Mas pra quem tem um tesauros
Tudo está facilitado
12
O tal IN, parte do todo
Arre, coisa complicada...
Agora vamos falar:
Deixa a gente abestalhada
Poderemos com cuidado
Ter a trama explicada
13
Atenção! todo o cuidado
Com folhetos reservados
Têm os versos copiados
Pelo tempo desgastados
Serão higienizados
E logo recuperados
14
Tem folhetos de 8 páginas
que facilitam a venda
o poeta economiza
pra manter sua vivenda
vai compondo os seus versos
que sem mistérios desvenda
15
São de 32 páginas,
Os folhetos de romance
princesas e outros heróis
Descritos em suas nuances
Nesta nossa Cordelteca
compondo grandes romances
16
Existem folhetos em prosa
descrevendo com firmeza
ensinamentos locais
em toda a sua beleza
O poeta dá lições
Pra preservar a natureza
17
Horóscopos, anuários
o cordelista sagaz
Entende das estações
E quando o plantio se faz
Tem os olhos nas estrelas
Buscando ser eficaz
18
Todo folheto contem
Verso, rima e oração
Não podendo esquecer
Sua metrificação
A rima traz a beleza
que nos fala ao coração
19
Contém sempre grandes temas
Os abecês são famosos
Seguindo nosso alfabeto
Trazem temas ardilosos
Chamados de abecedários
Sempre em versos primorosos
20
Nestes folhetos encontramos
Da lavoura os saberes
Dela, o alimento se extrai
Conservando seus poderes
Sua riqueza é imensa
Se com ela conviveres
21
Meu pai foi um grande mestre
Me ensinou tudo que sei
O gosto pela leitura...
O que sou e sempre serei
Dominava a poesia
Isto eu presenciei
22
Também foi bom seresteiro
Violeiro e cantador
Dele eu herdei o gosto
Porém, não tenho o pendor
De fazer versos rimados
Como um vate de valor
23
Nos meus tempos de criança
O meu pai contava histórias,
Muitas que ainda trago
Bem guardadas na memória,
Nas noite de lua cheia
Sem caráter de oratória
24
Eram noite de encanto
No terraço sob o luar
Aquele homem sisudo
Com sua viola a tocar
Narrava com alegria
Sempre os versos a rimar
25
Encantava os seus filhos
Fazendo as brincadeira
Que a todos agradavam
Tinha a dança das cadeiras
Que a meninada gostava
Valia uma noite inteira
26
Tínhamos “boca de formo”
“Farão tudo que eu mandar?”
Lá vai: Boca de forno !
O seu mestre vai gritar
Sem se rir e titubear
Farão o que mestre mandar...
27
Buscando leveza e graça
Minha rima não é reta
Fiz só uma brincadeira
Visto que não sou poeta
Para um Manual que é massa!
Penso atingir essa meta
28
O ACRÓSTICO registra
A verdadeira autoria
Lá no final do poema
Você lá encontraria
Ele, o verdadeiro autor
Sua marca deixaria
29
Receita, só na cozinha
Ou em canto similar
Será que valeu à pena
Agora isto aqui tentar?
Reflita, leitor amigo,
Isto que agora vos digo
O futuro há de julgar
FIM
Rio de Janeiro, março de 2009
Maria Rosário Pinto
(apoio Sepalo Campelo)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Apagão I e II

Apagão I (2001) e II (2009)
01
Caros amigos, leitores
Olha só que confusão
Em que suruba danada
Foi nos meter Fernandão
Parece coisa do demo
Tamanha complicação
02
Fernandão vem nos mostrar
A sua democracia
Que na miséria do povo
É pura demagogia
Parecendo até cinismo
Falar em cidadania
03
Ele diz que é letrado
Sociólogo, sim senhor!
Mas parece que esqueceu
As doutrinas de doutor
E o povo pagando o pato
Chorando e sentindo dor
04
Ele diz que não sabia
Oh! Que povo inconsciente
Mas porque não avisaram
Ao ilustre presidente
P’ra que ele não fizesse
Essa maldade com a gente?!
05
Se pudesse eu chegaria
Suave como uma mosca
Nas entranhas do Planalto
Desatarraxando a rosca
Onde o que é para o povo
Esbarra em promessa tosca
06
Vamos voltar para o tempo
Com a luz de lampião
Que afeta nossa vista
Estragando o nosso pulmão
Tudo como conseqüência
Deste maldito apagão
07
No ponto em que nós chegamos
Que Deus pena de nós tenha
Adeus dona ecologia
Na cozinha eu uso lenha
Cada um faça o que pode
Da forma que lhe convenha
08
Para cumprir a medida
Inventaram uma meta,
No consumo lá de casa,
Parece coisa incorreta
Bisbilhotando a vida
De quem anda em linha reta
09
Até o nosso São Pedro
Recebeu sua incumbência
Providenciar que chova
Pela divina clemência!
Assim ficou de plantão
Sem perder a paciência
10
Ah! Que saudades que tenho
Dos tempos que já se vão
Toda chuva que caía
Anunciava o trovão
Nosso querido São Pedro
Nem pensava em apagão
11
Há governantes que cuidam
Da saúde do povão
Mas aqui é diferente:
Pois o nosso cidadão
Somente é visto e lembrado
Quando chega uma eleição
12
Sofrendo as ameaças
De ver luzes apagadas
As famílias constrangidas
Ficam sempre aperreadas
Banham-se rapidamente
Usam roupas mal lavadas
13
Não se pode ouvir o rádio
Pois na corrente é ligado
Televisão, nem pensar
O lazer foi controlado
A gente tem que ficar
No escuro e abafado
14
Não consigo entender
A tal globalização
O mundo todo alinhado
O Brasil na contramão
Se isto é globalizar...
Fora, a globalização!
15
Hoje as nossas riquezas
Pelo mundo, empenhadas
Nossas maiores empresas
Já foram arrematadas
(Em leilões constrangedores)
No país, espoliadas
16
O distante dirigente
Quando chega a eleição
Beija o povo ardentemente
Chega perto da nação
Foge dele quando vem
O final da votação
17
O Brasil é sempre jovem
Como país do futuro
Vamos chegar à velhice
Em regime muito duro
Nossas crianças vivendo
Sem conforto e no escuro
18
Até mesmo o futebol
Já está prejudicado
Horário em nossos estádios
Agora está controlado
Para se ganhar a copa
O sonho fica adiado
19
Também como anda a vida
As coisas esculhambadas
Nossa seleção não ganha
Nem dos times de peladas
Só falta agora perder
As copas já conquistadas
20
Nosso país hoje vive
A grande guerra civil
A violência parece
Ser de pólvora um barril
A continuar assim
Morrerão de mil em mil
21
O povo passando fome
E com a barriga vazia
Já perdeu as esperanças
E também a fantasia
Pagando pelos enganos
Com erros em demasia
22
Eu estudo o cordel
Com afinco e alegria
Muito é preciso aprender
Para escrever com mestria
Procurando exercitar
O valor da poesia
23
Faço agora este cordel
Dividindo a autoria
Com meu amigo Sepalo
Amante da poesia
É poeta de valor
Lá da nossa Academia
24
(Sepalo)
A divisão de autoria
Que Rosário concedeu
É mais um a cortesia
Que a colega ofereceu
Porque de fato o cordel
É mais dela do que meu
25
Quem tem o dom de poeta
Rimando sente alegria
O cordel é uma luz
Que todo o mundo alumia
E não existe apagão
Que apague a poesia
Apagão II (2009)
26
Não publiquei em folheto
No ano 2001...
Depois, deixei guardado
Sem pensamento nenhum
Era coisa do passado,
Não tinha valor algum
27
Mas no ano 2009
Outro apagão acontece
Parece coisa do demo
Penso que ninguém merece
Muitos bairros às escuras
Amanhã logo se esquece
28
Sem ter a quem reclamar
Paga conta exorbitante
Liga para o ouvidor
Com ouvidos de mercante
Cansado, o povo desiste
Do sonho de reclamante
29
Lula diz tá inocente
A política parece
Uma grande indecência
Logo vem outro sinistro
O povo indignado
Tratado com displicência
30
Nosso ilustre presidente
Repete: sou inocente
O governador insiste
Em queixar-se ao presidente
E as Olimpíadas? Cuidado!
Vai sobrar pra muita gente!
FIM
(Maria Rosário Pinto
(Apoio: Sepalo Campelo)
Rio de Janeiro, Dezembro 2009.