Sorriso largo...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cobra criada - resposta

Resposta
 1
Dalinha! Não recuperei,
Aqueles versos que fiz
Mas, fiquei tão desolada,
E com a alma infeliz,
Que agora te mando outro
Mas sem a mesma matriz.
2
Dalinha, você não é cobra,
Cobra, sei, você não é
Se uma cobra você fosse
Que seria essa mulher?
Ela é uma faladeira
E não sabe nem quem é
3
Parece uma cascavel
Ou será uma enguia?
Além de cobra é feia
Valei-me Virgem Maria!
Não tendo o que fazer
Na janela, ela vigia
4
Dia e noite, noite e dia,
De “botuca” na janela
Deixa a panela no fogo,
E a barriga vazia
Coladinha no portal
Todo o tempo ela espia
5
Dia e noite, noite e dia,
Os cotovelos ralados
Ela ainda não notou
Seus olhos esbugalhados
Cheios de maledicências
Só olhando para os lados
6
Tem sempre muitos babados
Pra falar da vida alheia
Acredita nas mentiras
Que sua mente semeia.
Vou deixar essa vizinha,
Cuidando da vida alheia
7
As fofocas que semeia
Não merecem tanto espaço.
Vou então, parando aqui,
Sem criar muito embaraço
Essa mulher fofoqueira,
Inda vai ver seu fracasso

(Rosário Pinto)
Veja também:
http://cordeldesaia.blogspot.com
    julho 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Independência que virá...



Dalinha Catunda postou no Cantinho da Dalinha belos e fortes versos sobre nosso país que intitula lucidamente de Agüenta pátria amada! - poesia veemente, um verdadeiro grito de tristeza e de ALERTA!. Devemos sempre lembrar os fatos que envergonharam nossa história e dizê-los claramente, Conquistamos a liberdade de livre pensar, escrever e do falar, mas ainda nos falta incutir vergonha em algumas de nossas caras públicas.  É um engodo falar de abastança, quando sabemos que a fome, a miséria, a saúde precária, a educação deficiente ronda nossas vidas e de nossos semelhantes.
Pesquisando na internet encontrei uma das minhas grandes paixões literárias – JOÃO CABRAL DE MELO NETO. E não poderia de citar o trecho abaixo, apenas mais um dos tantos e fortes e belos desse grande autor brasileiro:

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.”
*****
 1
Fiquei mesmo a matutar
Nestes versos ora lidos
Pensando no que seria
Aqueles tempos vividos
Essa tal independência
E de que modo viria
2
Nos meus tempos de escola
Sofri medo e angústia
Não podia conversar
Tudo virava injuria
O Estado vigiava
Bem de perto a academia
3
Jovens com ideais
Pensando mudar a vida
Mais saber e mais leitura
Para situação mais munida
Plena de discernimento
E a vida menos bandida
4
Pelo que a história nos diz
Pelo tanto que vivemos
Não queremos repetir
O passado que tivemos
Dias de medo e dor
Vivíamos nos extremos
5
Sem censuras às leituras
Sem queimar A Capital
Do nosso Eça leal
Virou-se na tumba abissal
Não pensou que a ignorância
Neste item era total.

Rosário Pinto
Rio, set 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Mês do folclore

MÊS DO FOLCLORE
Durante o mês do folclore
É sempre tempo de festa
Tem brinquedo e brincadeira
Mas também tem a seresta
Canções, rezas e benditos
Contos, parlendas e mitos
E histórias da floresta

Tem lenda de assombração
De menino malcriado
De príncipe e princesa
De cangaceiro abusado
De camponês a roçar
De quadrilha pra dançar
De Seu Lunga mal humorado

Foi pelas mãos da parteira
Que o mundo nos viu chegar
Nossos avós confiavam
Nos saberes do lugar
Nas rezas e rezadeira
Isto não é brincadeira
É ciência popular 
 
Medicina popular
É nossa cultura oral
Tradição familiar
Este grande cabedal
Atravessa geração
É saber do coração
Da ciência informal

A nossa literatura
Tem os versos bem marcados
O poeta de cordel
Deixa todos amarrados
Verso, rima e oração
Em ritmo de canção
Martelos agalopados.
(Maria Rosário Pinto)
rosariuspinto@gmail.com
Rio, agosto 2010
Fotos: Equipe: Biblioteca Amadeu Amaral

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Programa da ONU para o Desenvolvimento

POETAS ! ! ! INSCRIÇÕES ATÉ 10 DE AGOSTO

Recebi da pesquisadora Rosilene Melo do PALAVRA CULTURA e repasso a todos os poetas. Vamos lá ?

De: Rosilene Melo <rosileneamelo@gmail.com>
Data: 28 de julho de 2010 11:12
Assunto: [Palavra Cultura] Chamada para cordelistas participarem do Relatório de Desen...
Para: rosariuspinto@gmail.com

Não perca essa grande chance,
meu amigo cordelista,
de escrever os seus bons versos,
aumentando a nossa lista
dos que querem paz no mundo,
e, então, respire fundo,
e seja um valoroso artista!

Se você já se pergunta
quem promove este evento:
É o Programa da ONU
para o Desenvolvimento,
almejando reunir
poetas pra resumir
ideias e pensamentos.

São pensamentos do povo,
que deseja ser feliz,
e que depois de uma pesquisa,
disse o que sempre quis:
o que falta, na verdade
pra mudar a realidade,
nosso coração que diz:

Com Valores, há Respeito
e Responsabilidade;
se há também Compreensão,
aí, temos Liberdade,
pois conviveremos bem,
sem discriminar ninguém,
essa é nossa vontade.

Mande dois de seus bons textos,
pra gente selecionar
os poetas que irão
com a gente participar
de oficina, por dois dias,
cobrimos as estadias,
café, almoço e jantar.

E, claro, também daremos
todo o custo da viagem.
Para isso, precisamos
receber sua mensagem,
informando-nos seus dados,
e, quem sabe, logo em breve
arrumará sua bagagem?

Diga o seu telefone,
endereço e o que faz.
Conte um pouco de você
e alguma coisa a mais.
Mande até 10 de agosto
e ocupe o seu posto.
Corra e não fique pra trás.

***
Todas as inscrições postadas com o carimbo de 10 de agosto serão recebidas. A escolha do lugar da oficina dependerá do lugar de onde tivermos o maior número de selecionados. Escreva para
Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
EQSW 103-104 Bloco D
CEP 70670-350 - Brasilia DF

Para qualquer dúvida escreva para flavio.comim@ undp.org ou ligue para (61) 30389105.
Postado por Rosilene Melo no Palavra Cultura em 7/28/2010 11:11:00 AM


Contatos Rosilene Alves de Melo:
(83) 8814-1410
(88) 9922-1410


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mulheres poetas

Mulheres poetas

1
Dalinha, vou aceitar
Seu convite pra cantar
Cantaremos as mulheres
Em seus cordéis a fiar
Na peleja também tem
Mulher a desafiar
2
No Ceará conhecemos
As mulheres cordelistas
Publicando seus folhetos
Começando a dar nas vistas
Rimando com maestria
Nunca perdendo as pistas
3
Os poetas reconhecem
Sua métrica e sua rima
Aperfeiçoando os versos
Que ninguém subestima
E recebendo o apoio
Dos poetas lá de cima
4
Você sabia, Dalinha
Que Altino era alcunha?
De uma mulher de valor...
Que sequer pintava unha
Pintava mesmo era verso,
Sem pudor e sem mumunha?
5
Alargando os espaços
Construindo oração
Aprimorado os versos
Com amor no coração
Descobri os pseudônimos
Com orgulho e emoção
6
Crato hoje é celeiro
Das mulheres cordelistas
Preparando os seus versos
Arrumando suas listas
Cordelando muitos temas
Provando que são artistas
7
Quando Leandro criou
Sua velha sergipana
Que desafiava homens
Na mansão ou na cabana...
Ele inventou a peleja.
Disso, ninguém se engana.
8
Vinha não sei se era
De Sergipe ou de Canudo
A verdade é que deixou
Nosso Leandro iracudo!
Nunca pensou que um dia
Receberia cascudo
9
Aquela velha danada
Se dizia araripana,
Mas Leandro apostou
Achou que seria bacana
Peleja com uma mulher
Mesmo sendo sergipana.
10
Quem diria, miga Dalinha,
Q’eu uma peleja faria
Você me incentivando,
Tempos atrás, eu temia
Q’os poetas descobrissem
A tamanha ousadia!

(Maria Rosário Pinto)
Rio, 15 de julho 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Edital Concurso Sílvio Romero – 2010


O Prêmio Sílvio Romero de Monografias sobre Folclore e Cultura Popular é oferecido pelo IPHAN, por seu Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – CNFCP, com o fim de fomentar a pesquisa, estimulando a diversidade e a atualização da produção de conhecimento no país voltada para esse campo de estudos.

Os trabalhos deverão ser entregues ao Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, na Rua do Catete, 179 – Catete – Rio de Janeiro – RJ – Cep. 22.220-000, impreterivelmente até às 18:00 horas, do dia 30 de julho de 2010, ou remetidos pelos Correios, sob registro, até a data indicada, sendo o carimbo da postagem o comprovante para a observância do prazo.

Veja o Edital, na íntegra no Portal do CNFCP


quarta-feira, 9 de junho de 2010

As férias da Chefia


Recebi o seu email e,
atenderei o seu pedido.
Enquanto Cê tá de férias
Eu rezo e faço pedido,
P'ra que eu tenha também
Meu descanso merecido

Férias é pra quem pode
As minhas só em abril
Você tá em Punta Canas
Eu, na puta que o pariu!
Aproveite bem os dias
Veja que o sol abriu

Ligarei para su mami
Porque você é gentil,
Mas não vá acostumando
Pois quando chegar abril
Mostrarei para você
Cordel de Saia explodiu

Se ficar muito ansiosa
O nosso blog acesse
Cordel de Saia, nas bocas
Não diga: “ninguém merece!!!!”
Nós estamos trabalhando
Mas a saudade acontece

Logo na sua ausência
Do alto da “congestão”
Ampliamos os recursos
Contratamos de montão
Foram muitos servidores
Sem grande complicação.

Um colega foi sentando
Na cadeira da Chefia
Exclamando em altos brados:
- Hoje ganhei meu dia
Ninguém me tira daqui
Vou ser chefe por um dia!

(Maria Rosário Pinto)