Sorriso largo...

domingo, 20 de março de 2011

Notícia da hora

O Jornal da Paraíba informou, ainda no dia 19 de março, que o II Encontro de Poetas Populares e Rodas de Cantoria encerrado em Sessão Plenária da Academia Brasileira de Literatura de Corde, neste sábado, homenageou o poeta Manoel Monteiro, radicado em Campina Grande, PB. 
Noticiou ainda, o arrojado projeto de Manoel Monteiro - Cordelando a Paraíba. Leia tudo aqui.
Acompanhe novas notícias neste blog, no blog do Encontro, no da ABLC e em Cordel de Saia. Estaremos informando os fatores multiplicadores do Encontro que obteve o sucesso almejado.
Fique agora com a notícia.



AGUARDE OUTRAS NOTÍCIAS

quarta-feira, 16 de março de 2011

II Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria

Caros amigos, 
Continuando a divulgação do II Encontro de Poetas Populares e Rodas de Cantoria, projeto idealizado por Fernando Assumpção, realizado pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel, que será realizado nos dia 17 e 18 de março, no Auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro, do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, com o apoio financeiro da Secretaria de Estado e Cultura do Rio de Janeiro. É a segunda edição do projeto que foi iniciado em 2009. Este Encontro contará com as participações de::

Dia 17/03

14:30h – Oficina – O cordel e suas mumunhas – com o poeta Sepalo Campelo, um dos fundadores da ABLC, que ocupa a cadeira de Guerra Vascurado;

16:00h – Encontro – Literatura de cordel: o tempo é hoje! - como a literatura de cordel evoluiu e permanece viva como gênero literário e fragmentos da cultura popular transitando entre o simbólico e a resignificação dos códigos, com Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da ABLC, ocupa a cadeira de Leandro Gomes de Barros e, Manoel Monteiro, que ocupa a cadeira de Manoel Tomaz de Assis;

18:30h – Roda de Cantoria – com Mestre Azulão, que ocupa a cadeira de José Camelo.

Dia 18/04

14:30h – Oficina – A literatura de cordel, evolução e firmamento – com o poeta Antônio de Araújo Campinense, que ocupa a cadeira de José da Luz;

16:00h – Encontro – Literatura de cordel, desafio e pelejas: o cordel na contemporaneidade. Como a literatura de cordel se apropriou das novas formas de comunicação e fez material para a divulgação de seu conteúdo e instrumento para o processo identitário nacional, com Dalinha Catunda, que ocupa a cadeira de Juvenal Galeno; João Batista Melo, que ocupa a cadeira de Caetano Cosme da Silva;

18:30h – Roda de Cantoria – com Sergival Silva, poeta, músico e radialista, cadeira Capistranos de Abreu; e, Chico Salles, poeta e músico, cadeira Catulo da Paixão Cearense.

CONTAMOS COM SEU COMPARECIMENTO





segunda-feira, 14 de março de 2011

Era uma vez um planeta.... Victor “Lobisomem”

ERA UMA VEZ UM PLANETA ...


ERA UMA VEZ UM PLANETA

Autor: Victor “Lobisomem”

Era uma vez um planeta
Que por Deus fora criado
Com carinho paciência
Amor, zelo e cuidado
Com muita dedicação
O planeta criação
De “Terra” foi batizado

Flutuando no espaço
E cercado por bilhões
De estrelas cintilantes
Juntas em constelações
E acompanhada da sua
Admiradora lua
Fonte de inspirações

Havia também um sol
O astro rei imponente
Acariciando a Terra
Com seu brilho forte e quente
Iluminando distante
Poderoso sol brilhante
E sua energia ardente

Em volta daquele sol
A Terra rodopiava
Num movimento constante
A lua lhe imitava
Num floreio bem bonito
Girando pelo infinito
Parecia que dançava

No planeta Terra as águas
Como um manto cobriam
Lá do alto das montanhas
Em cachoeiras desciam
Estavam em toda parte
Feito uma obra de arte
E pelos rios corriam

Águas doces percorriam
As florestas viajando
Em busca de encontrar
Quem estava lhes esperando
Os oceanos e mares
E os pássaros pelos ares
Iam lhes acompanhando

Pássaros voam cantando
Sobrevoando os rios
Os mares vão agitando
As águas em corrupios
Ondas beijando a areia
É manhã de maré cheia
Os ventos sopram vadios

O céu azul emoldura
Essa obra colossal
Feita pelas mãos divinas
Em um gesto paternal
Obra de rara beleza
Chamada de natureza
Fenômeno sem igual

Criação mais que perfeita
Majestosa harmonia
E o Grande Deus amoroso
Resolveu criar um dia
Encheu-se de esperança
E à sua semelhança
A raça humana nascia

O homem tinha na Terra
Tudo para viver bem
Água limpa, muitos frutos
E os animais também
A natureza vivia
Lhe servindo noite e dia
Sem cobrar nada a ninguém

Naquele lindo planeta
O tempo ia passando
A raça humana também
Ia se multiplicando
Mas sem a preocupação
Sem cuidado e gratidão
Tudo foi modificando

Nada foi acontecendo
Da noite para o dia
Foi tudo bem devagar
Pouca gente percebia
Mas o homem se esqueceu
De cuidar do que era seu
De preservar a harmonia

Deus bastante preocupado
Tudo fez pra ajudar
Mandava muitos sinais
Pro perigo alertar
Mas o homem nem ligava
Com nada se preocupava
Só fazia devastar

Muitos anos se passaram
Milhares, talvez milhões
E hoje aqui estamos
Cheios de preocupações
Em que mundo nós estamos?
Mas mesmo assim não paramos
Com tantas destruições

Devastamos as florestas
Poluímos nosso ar
O mesmo ar que nós mesmos
Estamos a respirar
Se de nós for depender
Nossa água de beber
Pode até se acabar

Dizem que o ser humano
É um ser racional
Fico eu me perguntando
Como é que um animal
Que se diz inteligente
Destrói o meio ambiente
Seu habitat natural?

Apontamos uns aos outros
Pra responsabilizar
O governo, as indústrias
Quem mais podemos culpar?
Mas nada posso dizer
Sem minha parte eu fazer
Para isso melhorar

Seca, enchente, tsunami
Impacto ambiental
Desequilíbrio ecológico
Aquecimento global
Cadê nossa inteligência
Educação, consciência
De um ser racional?

Nunca é tarde, ainda é tempo
De encontrar a solução
Devemos à natureza
Carinho e gratidão
Me desculpe se incomodo
Mas hoje foi deste modo
Que me veio a inspiração

Deus nos dê mais uma chance
Agora eu lhe dou certeza
Nós vamos cuidar direito
De toda essa beleza
Então pra lavar as almas
Peço uma salva de palmas
Pra nossa Mãe Natureza

FIM
Outubro/2007
Autor: Victor Alvim

* Este cordel foi escrito por sugestão e convite de Cláudio Baltar (Parafina) da Intrépida Trupe para ser apresentado com o espetáculo “ÁGUA DE BEBER” no evento ecológico NEUTRALIZO realizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro em outubro de 2007

www.quintal-do-lobisomem.blogspot.com

domingo, 6 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Homenagem feita às mulheres no seu dia por Lobisomem [Victor Alvim Ithaim Garcia],  poeta de cordel e capoeirista, natural do Rio de Janeiro, RJ. Iniciou-se como capoeirista, onde recebeu o nome de Lobisomem, dado pelo capoeirista Pantalona. É também cantador e compositor de sambas e cantigas de capoeira. Membro da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte da Capoeira. e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira n° 27 patronímica de Severino Mlianêz.

terça-feira, 1 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Foto:  minha mãe (Lúcia) e minha irmã (Ilná)
Neste mês, que nosso calendário marca o dia 08 de março, como o Dia Internacional da Mulher - o que é apenas mais uma convenção simbólica, decidi postar um poema de Patativa do Assaré, que mostra a mulher da forma mais profunda. Já conheço o poema, mas a última vez que o li foi do blog da SAM e por isto agradeço, por ter nos brindado com poesia tão singela e ao mesmo tempo de tamanha abrangência : perpassa toda a trajetória da nossa vida - retrata os Ritos de Passagem em todos os seus aspectos - :nascimento, meninice, adolescência, juventude, fase adulta e finalmente, a morte. E todos estes ritos são acompanhados dos ensinamentos que vamos recebendo e preservando: o seio materno, as canções de ninar, as brincadeiras, os prazeres, as dores, o distanciamento e finalmente a separação... Cada um de nós teve suas "mães pretas..." - aquelas que nos encorajavam a enfrentar os medos e as dores. Estou completamente comovida com esta lembrança de trazer Patativa do Assaré, neste mês de mulheres e que será segudido pelo  mês de mães e marias... Somos todas marias, marias, marias, mulheres, mulheres, mulheres, mãe, mães e mãe - as detentoras da sabedoria oral, aquelas que não precisam de assinaturas nem carimbos. Afinal, foram elas que ensinaram nosso poeta, Patativa do Assaré, a compor e cantar...

O coração do inocente,
É como a terra estrumada,
Qui a gente pranta a simente
E a mesma nace corada,
Lutrida e munto viçosa.
Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia
Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança
Vai batê na cova fria.

Quem pela infança passou,
O meu dito considera,
Eu quero, com grande amô,
Dizê Mãe Preta quem era.
- Mãe Preta dava a impressão
Da noite de iscuridão,
com seus mistero profundo,
Iscondendo seus praneta;
Foi ela a preta mais preta
Das preta qui eu vi no mundo.

Mas porém, sua arma pura,
Era branca como a orora,
E tinha a doce ternura
Da Virge Nossa Senhora.
Quando amanhecia o dia,
Pra minha rede ela ia
Dizendo palavra bela;
Pra cuzinha me levava
E um cafezim eu tomava
Sentado no colo dela.

Quando as minha brincadêra
Causava contrariedade
A minha mãe verdadêra
Com a sua otoridade,
As vez brigava comigo
E num gesto de castigo,
Botava os óio pra mim,
Mas porém, não me batia,
Somente pruque sabia
Qui mãe preta achava ruim.

Por isso eu não tinha medo,
Sempre contente vivia
Mexendo nos meus brinquedo
E fazendo istripolia.
Dentro de nossa morada,
Pra mim não fartava nada,
O meu mundo era Mãe Preta;
Foi ela quem me ensinou
Muntas cantiga de amô,
E brincá de carrapeta.

Se as vez eu brincando tava
De barbuleta a pegá,
E impaciente ficava
Inraivicido a chorá,
Ela com munta alegria,
Um certo jeito fazia,
Com carinho e com amô,
Apanhava as barbuleta;
Foi ela uma santa preta,
Que o mundo de Deus criou.

Se chegava a noite iscura
Com seus negrume sem fim,
Ela com toda ternura,
Chegava perto de mim
Uma coisa cochichava
E depois qui me bejava,
Me levava pra dromida
Sobre os seus braços lustroso.
Aquilo sim, era gozo,
Aquilo sim, era vida.

E despois de me deitá
Na minha pequena rede,
Balançava devagá
Pra não batê na parede,
Contando estes lindos verso
Qui neste grande universo
Ôtros mais belo não vi,
E enquanto ela balançava
E estes versinho cantava,
Eu percurava dromi.

Dorme, dorme, meu menino,
Já chegou a escuridão,
A treva da noite escura
Está cheia de papão.

No teu sono terás beijos
Da rosa e do bugari
E os espíritos benfazejos
Te defendem do saci. 

 Dorme, dorme, meu menino,
Já chegou a escuridão
A treva da noite escura
Está cheia de papão.

Dorme teu sono inocente
Com Jesus e com Maria,
Até chegar novamente
O clarão do novo dia.

Iscutando com respeito
Estes verso pequenino,
Eu sintia no meu peito
Tudo quanto era divino;
Nem tuada sertaneja,
Nem os bendito da igreja,
Nem os toque de retreta,
In mim ficaro gravado,
Como estes versos cantado
Por minha boa Mãe Preta.

Mas porém, eu bem menino,
Qui nem sabia pecá,
Os ispinho do destino
Começaro a me furá.
Mãe Preta qui era contente,
tava um dia deferente.
Preguntei o que ela tinha
E assim que ela oiô pra eu
Dois pingo d'água desceu
Dos óio da coitadinha.

Daquele dia pra cá,
Minha amorosa Mãe Preta,
Não pôde mais me ajudá
Nas pega de barbuleta,
Sem prazê, sem alegria
Dentro de um quarto vivia,
O dia e a noite intêra,
Sem achá consolação,
Inriba de seu croxão
De foia de bananera.

Quando ela pra mim oiava,
Como quem sente um desgosto,
A minha mão apertava
E o pranto banhava o rosto.
Divido este sofrimento,
Naquele seu aposento,
No quarto onde ela viva,
Me improibiro de entrá,
Promode não magoá
As dô que a pobe sintia.

Eu mesmo dizê não sei
Qual foi a surpresa minha,
Quando um dia eu acordei,
Bem cedo domenhãzinha
Entrei na sala e dei fé
Qui um magote de muié
Tava rezando oração;
E vi Mãe Preta vestida
Numa ropona comprida,
Arva, da cô de argodão.

Sinti no peito um cansaço,
Depois uns home chegaro
Levantaro ela nos braço
E numa rede botaro.
A rede tava amarrada
Numa peça perparada
De madêra bem polida,
E naquela mesma hora,
Levaro de estrada afora
Minha Mãe Preta querida.

Mamãe com todo carinho,
Chorando um bêjo me deu
E me disse - meu fiinho,
Sua Mãe Preta morreu!
E ôtras coisa me dizendo,
Sinti meu corpo tremendo,
Me jurguei um pobre réu,
Sem consolo e sem prazê,
Com vontade de morrê,
Pra vê Mãe Preta no céu.

O coração do inocente,
É como terra estrumada
Que a gente pranta a semente,
E a mesma nasce corada
Lutrida e munto viçosa;
Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia
Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança
Vai batê na cova fria.
Patativa do Assaré ( Antônio Gonçalves da Silva )


ACESSE AS ÚLTIMAS NOVIDADES EM:
Cordel de Saia
http://cordeldesaia.blogspot.com
e http://encontrocompoetas.blogspot.com/
II Encontro de poetas populares e Rodas de Cantoria
17 e 18 de março, no auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro/CNFCP
Rua do Catete, 179


domingo, 27 de fevereiro de 2011

II Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria


Academia Brasileira de Literatura de Cordel
ABLC
www.ablc.com.br
ablc@ablc.com.br

II Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria

Contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o projeto Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria busca difundir o cordel, levando à reflexão, ao debate, discutindo características, temas e abordagens; resgatando e apresentando ao público algumas de suas obras mais notórias, além de fomentar a produção e a formação de novos leitores e poetas.
Idealização de Fernando Assumpção, benemérito da ABLC, é o 3º edital conquistado junto a Secretaria de Estado e Cultura do Rio de Janeiro. Realização da ABLC, em parceria com o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - www.cnfcp.gov.br - este projeto contribui para o debate sobre a literatura de cordel e a cultura popular produzidas no Brasil deste o seu aparecimento, tendo sido estas acompanhadas de perto pela ABLC nos seus 22 anos de existência. Dessa forma, resgata e dissemina a produção intelectual de seus poetas e o seu histórico na literatura nacional. Além disso, mostra a contribuição de autores e estudiosos para a consolidação desse gênero literário.
Serão dois dias de encontros literários, 17 e 18 de março de 2011, com entrada gratuita, no auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro, à rua do Catete, 179. Conduzidos por poetas e cantadores convidados, dentre nomes importantes do universo da literatura de cordel, e que têm atuação constante na ABLC.
Estes encontros organizados no formato de aulas-espetáculo, contarão com a participação especial do poeta Manoel Monteiro, de Campina Grande, PB, o presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva.

PROGRAMAÇÃO

Dia 17 MAR

14:30h – Oficina: O Cordel, suas manhas e mumunhas – com Sepalo Campelo;

16:00h – Encontro: Literatura de cordel: o tempo é hoje.
Como a literatura de cordel evoluiu e permanece viva com gênero literário e fragmento da cultura popular, transitando entre o simbólico e a resignificação dos códigos.
Com presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva, poeta Manoel Monteiro e Maria Rosário Pinto.

18:30h – Roda de Cantoria – com Mestre Azulão

Dia 18 MAR

14:30h – Oficina: A literatura de Cordel, evolução e firmamento – com Mestre Campinense

16:00h – Encontro: Literatura de Cordel, Desafio e Pelejas: o cordel na contemporaneidade
Como a Literatura de cordel se apropriou das novas formas de comunicação e fez material para a divulgação de seu conteúdo e instrumento para o processo identitário nacional.

Com Dalinha Catunda, João Batista Mello e Ivamberto Albuquerque

18:30 – Roda de Cantoria com Sergival e Chico Salles

Consulte o blog:

http://encontrocompoetas.blogspot.com/
II Encontro de poetas populares e Rodas de Cantoria
17 e 18 de março, no CNFCP – auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro,
das 14:30 às 18:30 h
Entrada franca