Sorriso largo...

domingo, 6 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Homenagem feita às mulheres no seu dia por Lobisomem [Victor Alvim Ithaim Garcia],  poeta de cordel e capoeirista, natural do Rio de Janeiro, RJ. Iniciou-se como capoeirista, onde recebeu o nome de Lobisomem, dado pelo capoeirista Pantalona. É também cantador e compositor de sambas e cantigas de capoeira. Membro da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte da Capoeira. e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, na cadeira n° 27 patronímica de Severino Mlianêz.

terça-feira, 1 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Foto:  minha mãe (Lúcia) e minha irmã (Ilná)
Neste mês, que nosso calendário marca o dia 08 de março, como o Dia Internacional da Mulher - o que é apenas mais uma convenção simbólica, decidi postar um poema de Patativa do Assaré, que mostra a mulher da forma mais profunda. Já conheço o poema, mas a última vez que o li foi do blog da SAM e por isto agradeço, por ter nos brindado com poesia tão singela e ao mesmo tempo de tamanha abrangência : perpassa toda a trajetória da nossa vida - retrata os Ritos de Passagem em todos os seus aspectos - :nascimento, meninice, adolescência, juventude, fase adulta e finalmente, a morte. E todos estes ritos são acompanhados dos ensinamentos que vamos recebendo e preservando: o seio materno, as canções de ninar, as brincadeiras, os prazeres, as dores, o distanciamento e finalmente a separação... Cada um de nós teve suas "mães pretas..." - aquelas que nos encorajavam a enfrentar os medos e as dores. Estou completamente comovida com esta lembrança de trazer Patativa do Assaré, neste mês de mulheres e que será segudido pelo  mês de mães e marias... Somos todas marias, marias, marias, mulheres, mulheres, mulheres, mãe, mães e mãe - as detentoras da sabedoria oral, aquelas que não precisam de assinaturas nem carimbos. Afinal, foram elas que ensinaram nosso poeta, Patativa do Assaré, a compor e cantar...

O coração do inocente,
É como a terra estrumada,
Qui a gente pranta a simente
E a mesma nace corada,
Lutrida e munto viçosa.
Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia
Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança
Vai batê na cova fria.

Quem pela infança passou,
O meu dito considera,
Eu quero, com grande amô,
Dizê Mãe Preta quem era.
- Mãe Preta dava a impressão
Da noite de iscuridão,
com seus mistero profundo,
Iscondendo seus praneta;
Foi ela a preta mais preta
Das preta qui eu vi no mundo.

Mas porém, sua arma pura,
Era branca como a orora,
E tinha a doce ternura
Da Virge Nossa Senhora.
Quando amanhecia o dia,
Pra minha rede ela ia
Dizendo palavra bela;
Pra cuzinha me levava
E um cafezim eu tomava
Sentado no colo dela.

Quando as minha brincadêra
Causava contrariedade
A minha mãe verdadêra
Com a sua otoridade,
As vez brigava comigo
E num gesto de castigo,
Botava os óio pra mim,
Mas porém, não me batia,
Somente pruque sabia
Qui mãe preta achava ruim.

Por isso eu não tinha medo,
Sempre contente vivia
Mexendo nos meus brinquedo
E fazendo istripolia.
Dentro de nossa morada,
Pra mim não fartava nada,
O meu mundo era Mãe Preta;
Foi ela quem me ensinou
Muntas cantiga de amô,
E brincá de carrapeta.

Se as vez eu brincando tava
De barbuleta a pegá,
E impaciente ficava
Inraivicido a chorá,
Ela com munta alegria,
Um certo jeito fazia,
Com carinho e com amô,
Apanhava as barbuleta;
Foi ela uma santa preta,
Que o mundo de Deus criou.

Se chegava a noite iscura
Com seus negrume sem fim,
Ela com toda ternura,
Chegava perto de mim
Uma coisa cochichava
E depois qui me bejava,
Me levava pra dromida
Sobre os seus braços lustroso.
Aquilo sim, era gozo,
Aquilo sim, era vida.

E despois de me deitá
Na minha pequena rede,
Balançava devagá
Pra não batê na parede,
Contando estes lindos verso
Qui neste grande universo
Ôtros mais belo não vi,
E enquanto ela balançava
E estes versinho cantava,
Eu percurava dromi.

Dorme, dorme, meu menino,
Já chegou a escuridão,
A treva da noite escura
Está cheia de papão.

No teu sono terás beijos
Da rosa e do bugari
E os espíritos benfazejos
Te defendem do saci. 

 Dorme, dorme, meu menino,
Já chegou a escuridão
A treva da noite escura
Está cheia de papão.

Dorme teu sono inocente
Com Jesus e com Maria,
Até chegar novamente
O clarão do novo dia.

Iscutando com respeito
Estes verso pequenino,
Eu sintia no meu peito
Tudo quanto era divino;
Nem tuada sertaneja,
Nem os bendito da igreja,
Nem os toque de retreta,
In mim ficaro gravado,
Como estes versos cantado
Por minha boa Mãe Preta.

Mas porém, eu bem menino,
Qui nem sabia pecá,
Os ispinho do destino
Começaro a me furá.
Mãe Preta qui era contente,
tava um dia deferente.
Preguntei o que ela tinha
E assim que ela oiô pra eu
Dois pingo d'água desceu
Dos óio da coitadinha.

Daquele dia pra cá,
Minha amorosa Mãe Preta,
Não pôde mais me ajudá
Nas pega de barbuleta,
Sem prazê, sem alegria
Dentro de um quarto vivia,
O dia e a noite intêra,
Sem achá consolação,
Inriba de seu croxão
De foia de bananera.

Quando ela pra mim oiava,
Como quem sente um desgosto,
A minha mão apertava
E o pranto banhava o rosto.
Divido este sofrimento,
Naquele seu aposento,
No quarto onde ela viva,
Me improibiro de entrá,
Promode não magoá
As dô que a pobe sintia.

Eu mesmo dizê não sei
Qual foi a surpresa minha,
Quando um dia eu acordei,
Bem cedo domenhãzinha
Entrei na sala e dei fé
Qui um magote de muié
Tava rezando oração;
E vi Mãe Preta vestida
Numa ropona comprida,
Arva, da cô de argodão.

Sinti no peito um cansaço,
Depois uns home chegaro
Levantaro ela nos braço
E numa rede botaro.
A rede tava amarrada
Numa peça perparada
De madêra bem polida,
E naquela mesma hora,
Levaro de estrada afora
Minha Mãe Preta querida.

Mamãe com todo carinho,
Chorando um bêjo me deu
E me disse - meu fiinho,
Sua Mãe Preta morreu!
E ôtras coisa me dizendo,
Sinti meu corpo tremendo,
Me jurguei um pobre réu,
Sem consolo e sem prazê,
Com vontade de morrê,
Pra vê Mãe Preta no céu.

O coração do inocente,
É como terra estrumada
Que a gente pranta a semente,
E a mesma nasce corada
Lutrida e munto viçosa;
Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia
Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança
Vai batê na cova fria.
Patativa do Assaré ( Antônio Gonçalves da Silva )


ACESSE AS ÚLTIMAS NOVIDADES EM:
Cordel de Saia
http://cordeldesaia.blogspot.com
e http://encontrocompoetas.blogspot.com/
II Encontro de poetas populares e Rodas de Cantoria
17 e 18 de março, no auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro/CNFCP
Rua do Catete, 179


domingo, 27 de fevereiro de 2011

II Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria


Academia Brasileira de Literatura de Cordel
ABLC
www.ablc.com.br
ablc@ablc.com.br

II Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria

Contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o projeto Encontro com Poetas Populares e Rodas de Cantoria busca difundir o cordel, levando à reflexão, ao debate, discutindo características, temas e abordagens; resgatando e apresentando ao público algumas de suas obras mais notórias, além de fomentar a produção e a formação de novos leitores e poetas.
Idealização de Fernando Assumpção, benemérito da ABLC, é o 3º edital conquistado junto a Secretaria de Estado e Cultura do Rio de Janeiro. Realização da ABLC, em parceria com o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular - www.cnfcp.gov.br - este projeto contribui para o debate sobre a literatura de cordel e a cultura popular produzidas no Brasil deste o seu aparecimento, tendo sido estas acompanhadas de perto pela ABLC nos seus 22 anos de existência. Dessa forma, resgata e dissemina a produção intelectual de seus poetas e o seu histórico na literatura nacional. Além disso, mostra a contribuição de autores e estudiosos para a consolidação desse gênero literário.
Serão dois dias de encontros literários, 17 e 18 de março de 2011, com entrada gratuita, no auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro, à rua do Catete, 179. Conduzidos por poetas e cantadores convidados, dentre nomes importantes do universo da literatura de cordel, e que têm atuação constante na ABLC.
Estes encontros organizados no formato de aulas-espetáculo, contarão com a participação especial do poeta Manoel Monteiro, de Campina Grande, PB, o presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva.

PROGRAMAÇÃO

Dia 17 MAR

14:30h – Oficina: O Cordel, suas manhas e mumunhas – com Sepalo Campelo;

16:00h – Encontro: Literatura de cordel: o tempo é hoje.
Como a literatura de cordel evoluiu e permanece viva com gênero literário e fragmento da cultura popular, transitando entre o simbólico e a resignificação dos códigos.
Com presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva, poeta Manoel Monteiro e Maria Rosário Pinto.

18:30h – Roda de Cantoria – com Mestre Azulão

Dia 18 MAR

14:30h – Oficina: A literatura de Cordel, evolução e firmamento – com Mestre Campinense

16:00h – Encontro: Literatura de Cordel, Desafio e Pelejas: o cordel na contemporaneidade
Como a Literatura de cordel se apropriou das novas formas de comunicação e fez material para a divulgação de seu conteúdo e instrumento para o processo identitário nacional.

Com Dalinha Catunda, João Batista Mello e Ivamberto Albuquerque

18:30 – Roda de Cantoria com Sergival e Chico Salles

Consulte o blog:

http://encontrocompoetas.blogspot.com/
II Encontro de poetas populares e Rodas de Cantoria
17 e 18 de março, no CNFCP – auditório do Museu de Folclore Edison Carneiro,
das 14:30 às 18:30 h
Entrada franca

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Cordelteca - Memória da literatura de cordel


 Fiz agradecimento em verso ao poeta Zé Walter [José Walter Pires], membro da Academia Brasileira de Cordel – ABLC, cadeira nº 21, patronímica do poeta Joaquim Batista de Sena, que respondeu ao agradecimento:

* 
Walter Pires, obrigada
Pela memória em cordel
Na Amadeu Amaral,
Os folhetos em papel,
Em acervo digital,
Ficarão como postal,
Da história do cordel

**
Não há o que agradecer
Faz parte do ritual
Para ser participante
Da Amadeu Amaral
E, assim, me tornar eterno
Por esse jeito moderno
Em acervo digital
***
Agora posso dizer
Que saí do meu poleiro
Já não sou galo "pé-duro"
Que canta num só terreiro
Ganho fama virtual
Quem sabe, no mundo inteiro!
****
Isso me deixa feliz
Para criar sempre mais
Pedindo licença aos mestres
Para compor os anais
Da história do cordel
Com poetas magistrais

 Grande abraço,
Zéwalter
Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2011.
Acesse:
http://cordeldesaia.blogspot.com
http://cantinhodadalinha.blogspot.com




 



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Link DOMÍNIO PÚBLICO

Caros amigos,
Sei que já é de conhecimento de muitos, mas decidi postar aqui este link, para que o máximo de pessoas possam ter acesso a ele. Exitem mais de 30 títulos de folhetos de cordel, todos disponíveis para leitura digital. É importante divulgar e evitar que este link saia do ar e das redes.


Consultem e deixem aqui seus comentários, em prosa ou verso.
Grupo de acadêmicos, beneméritos e amigos da ABLC

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Rosa enjeitada







Esta semana ouvi este fado e fiquei muito impressionada com sua letra e melodia. É dos mais belos fados que já pude ouvir.

ROSA ENJEITADA (fado)
Da autoria de José Galhardo e de Raul Ferrão

Sou essa rosa, caprichosa, sem ser má
Flor de alma pura e de ternura ao Deus dará
Que viu um dia, que sentia um grande amor
E de paixão o coração estalar de dor

Rosa enjeitada
Sem mãe sem pão sem ter nada
Que vida triste e chorada
O teu destino te deu
Rosa enjeitada
Rosa humilde e perfumada
Afinal desventurada quem és tu?
Rosa enjeitada
Uma mulher que sofreu

Tão pobrezinha que ainda tinha uma afeição
Alguém que amava e que sonhava uma ilusão
Mas esse alguém por outro bem se apaixonou
E assim fiquei sem ele que amei e me enjeitou

Sei que um fado como este
Dói mesmo no coração,
De quem já sofreu na vida
E provou da ilusão,
De ter perdido amores,
Ficando só com as dores,
Que sobram da rejeição

Um beijo,
Dalinha

Acesse também:
http://cordeldesaia.blogspot.com