segunda-feira, 31 de maio de 2010
Cirandas infantis
Vamos fazer uma grande roda poética e cada um de nós deixará aqui seus comentários em versos. Penso que ficará bem lúdico, tal qual a Ciranda.(Maria Rosário Pinto)
Postado por
Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
às
21:23
5
comentários
Links para esta postagem
domingo, 28 de março de 2010
Caderno técnico n° 1 - Catalogação de folhetos de cordel/CNFCP/IPHAN/MinC (Maria Rosário Pinto)

http://www.cnfcp.gov.br/pdf/Acoes_CNFCP/manualCORDEL.pdf
Caderno técnico publicado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, com o objetivo de padronizar as informação básicas para a catalogação, indexação e disponibilização em banco de dados, com o objetivo de facilitar a busca dos usuário.
Postado por
Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
às
17:18
2
comentários
Links para esta postagem
sexta-feira, 5 de março de 2010
O folheto de cordel: suas formas e seus conteúdos
A literatura de cordel é, hoje, objeto de pesquisa, tendo despertado o interesse de pesquisadores e editores especializados. O folheto de cordel, fonte de informação e entretenimento apresenta a sua elaboração três aspectos, que compõem a peça gráfica: capa, miolo; e, contracapa. O miolo concentra os conteúdos - em que o poeta realiza sua produção poética. As composições são elaboradas sob várias modalidades de composições coerentes entre si: o verso, o tema, a oração e o ritmo. Até final do século passado, os folhetos eram, em sua maioria, impressos em pequenas tipografias e vendidos em feiras populares ou praças públicas. Até hoje, a figura do cantador destaca-se neste universo emprestando sua voz para a divulgação e venda de folhetos. São também os responsáveis pelas cantoria e desafios.
Peça gráfica
A apresentação gráfica do folheto de cordel contém informações de autoria, título e direitos de propriedade ou editora/tipografia. Os aspectos físicos do folheto de cordel são:
Capa — apresenta-se com ilustrações em desenhos, clichês, policromias e xilogravuras. É na capa que encontramos o título do folheto e a autoria. Franklin Maxado Nordestino em O cordel do cardel, 1982, referindo-se às capas de folhetos nos diz:
“ (...)
Muitos são os gravadores,
Fazendo xilogravuras
Que ilustram suas capas
E páginas com figuras,
Trabalhando em madeiras.
Sejam moles ou bem duras”
Miolo — A literatura de cordel realiza-se sob formas de composição e conteúdos coerentes entre si sendo os abecês, de 8 páginas; contos e cantorias de 8 a 16 páginas; e, romances, de 32 ou 48 páginas.
Conteúdo - O poeta de cordel é um observador do mundo, do meio social em que vive e, assim, distribui suas observações em versos, por meio de grandes temas da literatura de cordel, o trecho poético, de Franklin Maxado Nordestino, em O cordel do cordel, 1982, aponta para alguns dos temas mais recorrentes:
“(...)
O cordel tem seus folhetos
Que também são biográficos.
Têm os que descrevem exemplo,
Mas também os pornográficos,
E têm os que dão notícias,
Parecendo jornais gráficos.
Tem os romances de bichos
Misteriosos, mandingueiros,
Que falam, cantam, casam.
Tem os heróis milagreiros,
Mágicos, cômicos, históricos,
Irônicos ou macumbeiros.
Os de pelejas são célebres
Como a de Zé Pretinho,
Cego Aderaldo, Bandeira,
Fabião e Passarinho,
Ana Roxinha, Milanês,
Riachão e Canhotinho.”
Abecê – forma de composição em que o poeta de cordel inicia as estrofes de seu poema seguindo a seqüência de letras do alfabeto - (A) a (Z). É composto em sextilhas (estrofes de seis versos) ou setilhas, (estrofes de sete versos) e aplica-se a qualquer tema conforme ilustração do poeta Franklin Maxado Nordestino em O cordel do cordel, 1982.
“(...)
No Brasil ele ficou
Chamado de abecê
Ou de folheto de feira.
Você pode isso ler.
E ficou mais no Nordeste
Com seu povo a sofrer.”
Biografia — folhetos que relatam a biografia de grandes personalidades, seja da história, da filosofia, do mundo político, intelectual, artístico, religioso, etc. São inúmeros os folhetos que tratam da vida e obra de políticos como Getúlio Vargas; filósofos, como Platão; religiosos como Frei Damião, Padre Cícero e sobre a vida de Papas de todas as épocas.
Cangaço — folhetos que relatam as lutas travadas por grupos de cangaceiros. São conhecidos como folhetos do Ciclo do cangaço. Apolônio Alves dos Santos nos fala do cangaço no folheto Façanhas de Lampião, [19--].
"(...)
Quem conheceu a história
do cangaço do sertão
conta detalhadamente
a vida de Lampião
foi com este que obtive
esta real descrição.
Como ainda tenho lances
arquivados na memória
já porque outros poetas
não chegaram ter a glória
de contar nem a metade
deste sua longa história.”
Cantoria, Desafio e Peleja— a arte de cantar a poesia, por meio de desafio entre dois cantadores. As cantorias ou pelejas são sempre iniciadas e terminadas por sextilhas e apresentam-se sob várias modalidades como as sextilhas de cantoria, galopes, martelos, mourões; dentre outros. Encontramos também as pelejas em que o cantador narra desafios guardados na memória, como nos evidencia Manoel Messias em Peleja de Manoel Messias com Francisco Carolino, [19--]:
“Vou traduzir da lembrança
com otimismo e bom tino
uma peleja que tive
com Francisco Carolino
cantador muito afamado
lá no torrão nordestino.”
O folheto Peleja de Manoel Camilo com Antonio Correia [19--], de autoria do próprio Manoel Camilo dos Santos mostra a variedade de temas percorridos pelos poetas e cantadores.
“Muita gente já conhece
Quem é Antonio Correia
Um cantador conhecido
Da capital à aldeia
A quem se pode chamar
Um vate de musa cheia.
Porque Antonio Correia
Tem ciência e elemento,
Conhece bem a Botânica
E canta com fundamento
Geografia e Lunário
Novo e velho Testamento.”
Educação — folhetos que abordam temas educativos é cada vez mais freqüentes, especialmente, em momentos de grandes campanhas de educação: saúde pública, preservação do meio ambiente, (enchentes, queimadas e secas). O poeta Manoel Santa Maria em seu folheto Defenda-se contra o cólera, 1992, oferece sua colaboração na divulgação das políticas de saúde pública.
“Não vou lhes brindar com nada
Artístico no momento.
Serei breve e objetivo
Para lograr meu intento.
Minha função é didática,
No Cordel que ora apresento.
Em Grego, no masculino,
Era “o cólera”, mas não
Sou filósofo pra entrar
No âmago dessa questão.
Sou apenas cordelista
De alma, corpo e coração!
Segundo as autoridades
Sanitárias eis aqui
Os cuidados a tomar.
Pesquisei e converti
Em versos simples, diretos,
Neste Cordel que escrevi.
É uma infecção aguda,
Contagiosa, causada
Pelo Vibrião Colérico,
E que se não for tratada
Com a urgência devida
Decreta o fim da fornada!”
E o poeta segue sua jornada esclarecedora sobre as medidas a serem tomadas para evitar a contaminação, finalizando com a estrofe:
“(...)
Finalizando, eu espero
Que este folheto lhe ajude
Contra o cólera, porém
A higiênica atitude
É sua melhor defesa,
Tratando-se de saúde!”
Lenda — As lendas brasileiras constituem tema dos mais recorrentes na literatura de cordel, como nos mostra o poeta Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, nos folhetos Lenda da Vitória Régia, 1997; Lenda do Caipora, [19--]; e, Lenda do Saci Pererê, [19--], dentre tantos outros:
“(...)
Quem conhece um Saci
conservará na lembrança
um moleque brincalhão,
peralta que não se cansa
ou seja: um gênio lendário
com espírito de criança.
Notícia — folhetos que tratam de notícias de interesse público, fatos de grande repercussão no
mundo, como: chegada do homem à lua, escândalos políticos e sociais, tragédias (World Trade Center), desastres aéreos, ferroviários, rodoviários fluviais ou marítimos, crimes, guerras, etc. O folheto, nos seus primórdios, supria a carência de veículos de comunicação como jornais, revistas, rádios e televisão. Este importante papel é reforçado nos versos de Mestre Azulão, em O que é literatura de cordel?, [19--], em que esclarece o valor do cordel como fonte de informação e notícia:
“(...)
Esta cultura tem dado
Informação e ensinos
As escolas do nordeste
Para adultos e meninos
Servindo como jornais
Que levam das capitais
Para os sertões nordestinos”
E segue ressaltando o valor e a credibilidade das informações contidas nos folhetos de cordel e
divulgadas em feiras e praças públicas pelos poetas e cantadores:
“(...)
Repentista e cordelistas,
São conhecidos demais
Seus repentes e cordéis
São verdadeiros jornais
Que levam pra todas feiras
As notícias brasileiras
E internacionais.
Confiam mais no poetas
Porque são muitos fiéis
Desconfiam dos jornais
Que mentem nos seus papéis
Dizendo em praças e feiras
Que notícias verdadeiras
São aquelas dos cordéis.”
Romance — O termo remete para o Romanceiro popular brasileiro, aos romances e folhetos orais e escritos, cantados ou recitados, cuja estrutura herdada da Europa adaptou-se aos temas e vozes nordestinas, que tratam de grandes narrativas de guerras, viagens ou conquistas marítimas, feitos heróicos e de aventura. São fragmentos das epopéias medievais conservados na memória do povo e transmitidos pela tradição oral.
O primeiro verso de um romance é sempre marcado por um apelo às musas inspiradoras, observe o verso de Severino Borges da Silva, em Ali-Babá e os 40 ladrões, [19--]: “Dai-me musa dos poetas”; à inspiração divina, em Amor de mãe, de Severino Borges da Silva, [19--]: “Já que Deus dá a ciência”; à atenção dos leitores em A cigana feiticeira, [19--], de Caetano Cosme da Silva: “Neste livro, o bom leitor”; ou mesmo, uma afirmativa contundente, como no verso de Cícero Vieira da Silva em Um amor supliciado nas grades da dentenção, 1958: “O amor quando penetra.
1 (*) NOGUEIRA, Maria Aparecida Lopes. O cabreiro tresmalhado: Ariano Suassuna e a universalidade da cultura. São Paulo : Palas Athena, 2002
Edição, distribuição e venda
Os primeiros folhetos foram manuscritos passando, posteriormente para textos impressos em tipografias tradicionais, localizadas, principalmente, no Nordeste. O papel mais usado, nos primórdios da produção de folhetos, era o manilha, de baixo custo e boa aderência à tinta tipográfica. Destacaram-se editores como João Martins de Athayde, natural de de Cachoeira de Cebolas (hoje denominada Itaituba, município de Ingá do Bacamarte, PB; José Bernardo da Silva; e João José da Silva, dentre tanto outros. Com a atividade editorial destes poetas e editores criou-se uma vasta rede de distribuidores de folhetos por todo o país. Franklin Maxado Nordestino, em O cordel do cordel, 1982, informa sobre os primeiros editores:
“(...)
Seus poetas são também
Editores e vendedores.
Saem lendo e cantando,
Procurando os leitores
Que gostam das novidades
E versos de mil amores.”
Athayde foi o maior editor de folhetos de cordel de todos os tempos, tendo inciado suas atividades de poeta-editor em 1909, influenciado pelo mestre Leandro Gomes de Barros. Em 1921 comprou os direitos autoriais do velho poeta, falecido em 1918 e, tornou-se, durante mais de 20 anos, detentor exclusivo dos maiores clássicos da literatura de cordel, tendo vendido seu acervo (a obra de Leandro, a sua e de outros poetas ao alagoano José Bernardo da Silva, em 1949. No folheto História da literatura de cordel, José Antônio dos Santos o define:
“João Martins de Atahyde
Quando Leandro morreu
De sua esposa comprou
Parte do acervo seu
Dos direitos autorais
Fez o que bem entendeu”
José Bernardo da Silva, alagoano, vendedor ambulante chega a Juazeiro do Norte, CE, em 1920 e, decide comercializar alguns folhetos de cordel, nas feiras da região. O sucesso da inciativa o leva a tornar-se impressor; e, posteriormente, um dos maiores editores do Nordeste, funda a Tipografia São Francisco. Inicia, assim, sua vida de tipófrafo e poeta. Se auto-define nos versos:
“ Não sou poeta vos digo
Mas com rimas arranjo o pão
Sou bom na composição.
O meu saber se irradia,
Conheço com perfeição.
Agradeço esta opulência
À Divina Providência
E ao Padre Cícero Romão”
João José da Silva, poeta pernambuco, proprietário de uma das maiores folhetarias da década de 50, a Luzeiro do Norte, em Recife, também iniciou-se na poesia de cordel como revendedor/distribuidor, como nos mostra o poeta Delarme Monteiro da Silva no folheto Cordel, repente e canção, [19--]:
“(...)
Certo dia em meu balcão
Surgiu um tal João José
Numa roupinha “sambada”
Tamanco velho no pé
Perguntou pro meu irmão
O seu Delarme, quem é ?
Então eu me aproximei
A ele fui atender
João José me perguntou
- O senhor pode dizer
Se aqui vende folheto
Para a gente revender
Hoje, com a modernização dos recursos gráficos são poucas as tipografias tradicionais; ampliam-se as editoras dedicadas a este tipo de publicação, preparando seus originais em computadores e realizando impressões em modernas máquinas gráficas A literatura de cordel também está presente na internet, como tema, assunto de pesquisa, ou através de poemas publicados por cordelistas que dela se utilizam para veicular seus folhetos. Vale citar o folheto A internet no reino da rapadura, [20--], do poeta João Batista Melo, nos versos que seguem:
“Certo dia eu tava em casa
na minha vida informal
lutando no dia-a-dia
neste momento global
quando ouvi alguém gritar:
Ô poeta venha cá...
chegue aqui no meu quintal...”
Era a vizinha do lado
de nome dona Gildete
mãe de oito “capetinhas”
desses de pintar o sete
que queria porque queria
que eu fizesse em poesia
algo sobre a INTERNET
Me propus então versar
essa jovem genial
que está mudando o mundo
de forma fenomenal
criando Elo e cadeia
tornando tudo uma aldeia
neste contexto global
(...)
Para muitos ela é visagem
espírito da Caipora
a Sereia dos novos tempos
pelos espaços afora
que em fração de segundo
consegue dá volta ao mundo
com a notícia na hora
Dispondo do seu trabalho
se tem o mundo à mão
se “navega” à vontade
sem medos de colisão
só com um teclar de dedos
o mundo perde segredos
e se ganha informação.”
Contracapa — também conhecida como “página editorial” – é a página em que o poeta registra
sua biografia, editores, patrocinadores e distribuidores. Podemos encontrar também, orações, mensagens, horóscopos da astrologia popular, propaganda política, notícias de organizações poéticas, etc.
Bibliografia
Tesauro de Folclore e Cultura Popular Brasileira. Disponível em: www.cnfcp.gov.br
SANTOS, José João dos (Mestre Azulão). O que é literatura de cordel? Japeri, RJ : [s.n., 200-].
BARROS, Leandro Gomes de. Peleja de Riachão com o diabo. Fortaleza : Editora Tupynanquim, 2001.
_____. O cachorro dos mortos. São Paulo : Prelúdio, [19--]. 32 p.
_____. Os sofrimentos de Alzira. São Paulo : Luzeiro, [19--]. 32 p.
MELO, João Batista. A internet no reino da rapadura. Niterói : [s.n.,19--].
MESSIAS, Manoel Messias. Peleja de Manoel Messias com Francisco Carolino :Juazeiro do Norte : Tip. São Francisco, [19--].
NORDESTINO, Franklin Maxado. O cordel do cordel. São Paulo: [s.n.], 1982.
_____. O cordel televivo, futuro, presente e passado da literatura de cordel. Rio de Janeiro: Codecri, 1984.
SANTAMARIA, Manoel. Defenda-se contra o cólera. Araruama: [s.n.], 1992.
SANTOS, Manoel Camilo dos. Peleja de Manoel Camilo com Antonio Correia. Campina Grande Ed. Prop. Manoel Camilo dos Santos : A Estrela da Poesia, 1958
SILVA, Delarme Monteiro da. Nordeste, cordel, repente, canção. Bezerros, PE: Ed. Prop. J. Borges, [19--].
SILVA, Gonçalo Ferreira da. Lenda do Saci Pererê. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Literatura de Cordel, [200-].
_____. Lenda do Caipora. Guarabira : Tipografia Pontes, [19--].
_____. Lenda da Vitória Régia. Guarabira : Tipografia Pontes, [19--].
LIMA, Viana, Arievaldo; VIANA, Klévisson, e, Zé Maria de Fortaleza. A didática do cordel. Fortaleza : Editora Tupynanquim, 2005.
SANTOS, Apolônio Alves dos. Façanhas de Lampião. Rio de Janeiro : Ed. Prop. Apolônio Alves dos Santos, [19--].
SILVA, Severino Borges da.Ali-Babá e os 40 ladrões. Recife : Ed Prop. João José da Silva, Luzeiro Norte, [19--].
SILVA, Severino Borges da. Amor de mãe. São Paulo : Luzeiro, [19--].
SILVA, Cosme da Silva.A cigana feiticeira. Recife. Ed. Prop. João José da Silva : Luzeiro do Norte, [19--].
SILVA, Cícero Vieira da. O amor nas grades da detenção. Campina Grande : Ed. Prop. Manoel Camilo dos Sanatos : Tipografia Santos, 1958.
NOGUEIRA, Maria Aparecida Lopes. O cabreiro tresmalhado: Ariano Suassuna e a universalidade da cultura. São Paulo : Palas Athena, 2002.
Maria Rosário Pinto
Biblioteca Amadeu Amaral
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN/MinC
www.cnfcp.gov.br
rosario.folclore@iphan.gov.br
Academia Brasileira de Literatura de Cordel
www.ablc.com.br
ablc@ablc.com.br
Membro titular da cadeira nº 18 patronímica de José Bernardo da Silva
Biblioteca Amadeu Amaral
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN/MinC
www.cnfcp.gov.br
rosario.folclore@iphan.gov.br
Academia Brasileira de Literatura de Cordel
www.ablc.com.br
ablc@ablc.com.br
Membro titular da cadeira nº 18 patronímica de José Bernardo da Silva
Postado por
Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
às
07:37
4
comentários
Links para esta postagem
Catalogação de cordel
1
Caros amigos, leitores
Venho aqui para explicar
Neste trabalho exaustivo
De quem vive a pesquisar
A maneira mais correta
Do cordel catalogar
2
Mas com verso de cordel
Há que ter muito cuidado
Se o cabra não for bom
Vai ficar atrapalhado
Escrever muita besteira
Ficar desarticulado
3
No Centro Nacional
De Cultura Popular
Acervo de cordel é
Referência singular
Poeta de toda parte
Vem aqui depositar
4
Seus folhetos de cordel
Para conosco gravar
A Memória permanente
Da cultura popular
A Cordelteca respalda
A poesia popular
Seu valor tradicional
5
Em cordel, na informática
Da Amadeu Amaral
Dentro de nosso sistema
Código é dado especial
Local, então, nem se fala
É coisa fundamental
6
Nosso Registro é fiel
A polêmica é autoral
O acróstico, identifica
Título é fundamental
Cada qual dando notícia
Da história universal
7
A Responsabilidade
É como se apresentar
E se for proprietário
Vale à pena assinalar
Constar Série é muito raro
Edição deve constar
8
Imprenta, que nome estranho!
Nada mais que o lugar
Onde o folheto foi feito
Pense em prensa pra informar
A gráfica é importante
Mais importante é datar
9
Descrição que coisa louca
Páginas, estrofes, versos
Identificar a métrica
Olhando estilos diversos
Se galope, se mourão
E outros mais controversos
10
Nas Notas vale dizer
Sobre o visual da capa
Se é feito em xilogravura
Ou se é desenho à tapa
E sempre o primeiro verso
Ajuda a montar o mapa
11
Chega a vez dos Descritores
Outro nome complicado
Nada mais do que o assunto
No cordel catalogado
Mas pra quem tem um tesauros
Tudo está facilitado
12
O tal IN, parte do todo
Arre, coisa complicada...
Agora vamos falar:
Deixa a gente abestalhada
Poderemos com cuidado
Ter a trama explicada
13
Atenção! todo o cuidado
Com folhetos reservados
Têm os versos copiados
Pelo tempo desgastados
Serão higienizados
E logo recuperados
14
Tem folhetos de 8 páginas
que facilitam a venda
o poeta economiza
pra manter sua vivenda
vai compondo os seus versos
que sem mistérios desvenda
15
São de 32 páginas,
Os folhetos de romance
princesas e outros heróis
Descritos em suas nuances
Nesta nossa Cordelteca
compondo grandes romances
16
Existem folhetos em prosa
descrevendo com firmeza
ensinamentos locais
em toda a sua beleza
O poeta dá lições
Pra preservar a natureza
17
Horóscopos, anuários
o cordelista sagaz
Entende das estações
E quando o plantio se faz
Tem os olhos nas estrelas
Buscando ser eficaz
18
Todo folheto contem
Verso, rima e oração
Não podendo esquecer
Sua metrificação
A rima traz a beleza
que nos fala ao coração
19
Contém sempre grandes temas
Os abecês são famosos
Seguindo nosso alfabeto
Trazem temas ardilosos
Chamados de abecedários
Sempre em versos primorosos
20
Nestes folhetos encontramos
Da lavoura os saberes
Dela, o alimento se extrai
Conservando seus poderes
Sua riqueza é imensa
Se com ela conviveres
21
Meu pai foi um grande mestre
Me ensinou tudo que sei
O gosto pela leitura...
O que sou e sempre serei
Dominava a poesia
Isto eu presenciei
22
Também foi bom seresteiro
Violeiro e cantador
Dele eu herdei o gosto
Porém, não tenho o pendor
De fazer versos rimados
Como um vate de valor
23
Nos meus tempos de criança
O meu pai contava histórias,
Muitas que ainda trago
Bem guardadas na memória,
Nas noite de lua cheia
Sem caráter de oratória
24
Eram noite de encanto
No terraço sob o luar
Aquele homem sisudo
Com sua viola a tocar
Narrava com alegria
Sempre os versos a rimar
25
Encantava os seus filhos
Fazendo as brincadeira
Que a todos agradavam
Tinha a dança das cadeiras
Que a meninada gostava
Valia uma noite inteira
26
Tínhamos “boca de formo”
“Farão tudo que eu mandar?”
Lá vai: Boca de forno !
O seu mestre vai gritar
Sem se rir e titubear
Farão o que mestre mandar...
27
Buscando leveza e graça
Minha rima não é reta
Fiz só uma brincadeira
Visto que não sou poeta
Para um Manual que é massa!
Penso atingir essa meta
28
O ACRÓSTICO registra
A verdadeira autoria
Lá no final do poema
Você lá encontraria
Ele, o verdadeiro autor
Sua marca deixaria
29
Receita, só na cozinha
Ou em canto similar
Será que valeu à pena
Agora isto aqui tentar?
Reflita, leitor amigo,
Isto que agora vos digo
O futuro há de julgar
FIM
Caros amigos, leitores
Venho aqui para explicar
Neste trabalho exaustivo
De quem vive a pesquisar
A maneira mais correta
Do cordel catalogar
2
Mas com verso de cordel
Há que ter muito cuidado
Se o cabra não for bom
Vai ficar atrapalhado
Escrever muita besteira
Ficar desarticulado
3
No Centro Nacional
De Cultura Popular
Acervo de cordel é
Referência singular
Poeta de toda parte
Vem aqui depositar
4
Seus folhetos de cordel
Para conosco gravar
A Memória permanente
Da cultura popular
A Cordelteca respalda
A poesia popular
Seu valor tradicional
5
Em cordel, na informática
Da Amadeu Amaral
Dentro de nosso sistema
Código é dado especial
Local, então, nem se fala
É coisa fundamental
6
Nosso Registro é fiel
A polêmica é autoral
O acróstico, identifica
Título é fundamental
Cada qual dando notícia
Da história universal
7
A Responsabilidade
É como se apresentar
E se for proprietário
Vale à pena assinalar
Constar Série é muito raro
Edição deve constar
8
Imprenta, que nome estranho!
Nada mais que o lugar
Onde o folheto foi feito
Pense em prensa pra informar
A gráfica é importante
Mais importante é datar
9
Descrição que coisa louca
Páginas, estrofes, versos
Identificar a métrica
Olhando estilos diversos
Se galope, se mourão
E outros mais controversos
10
Nas Notas vale dizer
Sobre o visual da capa
Se é feito em xilogravura
Ou se é desenho à tapa
E sempre o primeiro verso
Ajuda a montar o mapa
11
Chega a vez dos Descritores
Outro nome complicado
Nada mais do que o assunto
No cordel catalogado
Mas pra quem tem um tesauros
Tudo está facilitado
12
O tal IN, parte do todo
Arre, coisa complicada...
Agora vamos falar:
Deixa a gente abestalhada
Poderemos com cuidado
Ter a trama explicada
13
Atenção! todo o cuidado
Com folhetos reservados
Têm os versos copiados
Pelo tempo desgastados
Serão higienizados
E logo recuperados
14
Tem folhetos de 8 páginas
que facilitam a venda
o poeta economiza
pra manter sua vivenda
vai compondo os seus versos
que sem mistérios desvenda
15
São de 32 páginas,
Os folhetos de romance
princesas e outros heróis
Descritos em suas nuances
Nesta nossa Cordelteca
compondo grandes romances
16
Existem folhetos em prosa
descrevendo com firmeza
ensinamentos locais
em toda a sua beleza
O poeta dá lições
Pra preservar a natureza
17
Horóscopos, anuários
o cordelista sagaz
Entende das estações
E quando o plantio se faz
Tem os olhos nas estrelas
Buscando ser eficaz
18
Todo folheto contem
Verso, rima e oração
Não podendo esquecer
Sua metrificação
A rima traz a beleza
que nos fala ao coração
19
Contém sempre grandes temas
Os abecês são famosos
Seguindo nosso alfabeto
Trazem temas ardilosos
Chamados de abecedários
Sempre em versos primorosos
20
Nestes folhetos encontramos
Da lavoura os saberes
Dela, o alimento se extrai
Conservando seus poderes
Sua riqueza é imensa
Se com ela conviveres
21
Meu pai foi um grande mestre
Me ensinou tudo que sei
O gosto pela leitura...
O que sou e sempre serei
Dominava a poesia
Isto eu presenciei
22
Também foi bom seresteiro
Violeiro e cantador
Dele eu herdei o gosto
Porém, não tenho o pendor
De fazer versos rimados
Como um vate de valor
23
Nos meus tempos de criança
O meu pai contava histórias,
Muitas que ainda trago
Bem guardadas na memória,
Nas noite de lua cheia
Sem caráter de oratória
24
Eram noite de encanto
No terraço sob o luar
Aquele homem sisudo
Com sua viola a tocar
Narrava com alegria
Sempre os versos a rimar
25
Encantava os seus filhos
Fazendo as brincadeira
Que a todos agradavam
Tinha a dança das cadeiras
Que a meninada gostava
Valia uma noite inteira
26
Tínhamos “boca de formo”
“Farão tudo que eu mandar?”
Lá vai: Boca de forno !
O seu mestre vai gritar
Sem se rir e titubear
Farão o que mestre mandar...
27
Buscando leveza e graça
Minha rima não é reta
Fiz só uma brincadeira
Visto que não sou poeta
Para um Manual que é massa!
Penso atingir essa meta
28
O ACRÓSTICO registra
A verdadeira autoria
Lá no final do poema
Você lá encontraria
Ele, o verdadeiro autor
Sua marca deixaria
29
Receita, só na cozinha
Ou em canto similar
Será que valeu à pena
Agora isto aqui tentar?
Reflita, leitor amigo,
Isto que agora vos digo
O futuro há de julgar
FIM
Rio de Janeiro, março de 2009
Maria Rosário Pinto
(apoio Sepalo Campelo)
Maria Rosário Pinto
(apoio Sepalo Campelo)
Postado por
Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
às
07:28
1 comentários
Links para esta postagem
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Apagão I e II
Apagão I (2001) e II (2009)

Olha só que confusão
Em que suruba danada
Foi nos meter Fernandão
Parece coisa do demo
Tamanha complicação
02
Fernandão vem nos mostrar
A sua democracia
Que na miséria do povo
É pura demagogia
Parecendo até cinismo
Falar em cidadania
03
Ele diz que é letrado
Sociólogo, sim senhor!
Mas parece que esqueceu
As doutrinas de doutor
E o povo pagando o pato
Chorando e sentindo dor
04
Ele diz que não sabia
Oh! Que povo inconsciente
Mas porque não avisaram
Ao ilustre presidente
P’ra que ele não fizesse
Essa maldade com a gente?!
05
Se pudesse eu chegaria
Suave como uma mosca
Nas entranhas do Planalto
Desatarraxando a rosca
Onde o que é para o povo
Esbarra em promessa tosca
06
Vamos voltar para o tempo
Com a luz de lampião
Que afeta nossa vista
Estragando o nosso pulmão
Tudo como conseqüência
Deste maldito apagão
07
No ponto em que nós chegamos
Que Deus pena de nós tenha
Adeus dona ecologia
Na cozinha eu uso lenha
Cada um faça o que pode
Da forma que lhe convenha
08
Para cumprir a medida
Inventaram uma meta,
No consumo lá de casa,
Parece coisa incorreta
Bisbilhotando a vida
De quem anda em linha reta
09
Até o nosso São Pedro
Recebeu sua incumbência
Providenciar que chova
Pela divina clemência!
Assim ficou de plantão
Sem perder a paciência
10
Ah! Que saudades que tenho
Dos tempos que já se vão
Toda chuva que caía
Anunciava o trovão
Nosso querido São Pedro
Nem pensava em apagão
11
Há governantes que cuidam
Da saúde do povão
Mas aqui é diferente:
Pois o nosso cidadão
Somente é visto e lembrado
Quando chega uma eleição
12
Sofrendo as ameaças
De ver luzes apagadas
As famílias constrangidas
Ficam sempre aperreadas
Banham-se rapidamente
Usam roupas mal lavadas
13
Não se pode ouvir o rádio
Pois na corrente é ligado
Televisão, nem pensar
O lazer foi controlado
A gente tem que ficar
No escuro e abafado
14
Não consigo entender
A tal globalização
O mundo todo alinhado
O Brasil na contramão
Se isto é globalizar...
Fora, a globalização!
15
Hoje as nossas riquezas
Pelo mundo, empenhadas
Nossas maiores empresas
Já foram arrematadas
(Em leilões constrangedores)
No país, espoliadas
16
O distante dirigente
Quando chega a eleição
Beija o povo ardentemente
Chega perto da nação
Foge dele quando vem
O final da votação
17
O Brasil é sempre jovem
Como país do futuro
Vamos chegar à velhice
Em regime muito duro
Nossas crianças vivendo
Sem conforto e no escuro
18
Até mesmo o futebol
Já está prejudicado
Horário em nossos estádios
Agora está controlado
Para se ganhar a copa
O sonho fica adiado
19
Também como anda a vida
As coisas esculhambadas
Nossa seleção não ganha
Nem dos times de peladas
Só falta agora perder
As copas já conquistadas
20
Nosso país hoje vive
A grande guerra civil
A violência parece
Ser de pólvora um barril
A continuar assim
Morrerão de mil em mil
21
O povo passando fome
E com a barriga vazia
Já perdeu as esperanças
E também a fantasia
Pagando pelos enganos
Com erros em demasia
22
Eu estudo o cordel
Com afinco e alegria
Muito é preciso aprender
Para escrever com mestria
Procurando exercitar
O valor da poesia
23
Faço agora este cordel
Dividindo a autoria
Com meu amigo Sepalo
Amante da poesia
É poeta de valor
Lá da nossa Academia
24
(Sepalo)
A divisão de autoria
Que Rosário concedeu
É mais um a cortesia
Que a colega ofereceu
Porque de fato o cordel
É mais dela do que meu
25
Quem tem o dom de poeta
Rimando sente alegria
O cordel é uma luz
Que todo o mundo alumia
E não existe apagão
Que apague a poesia
Apagão II (2009)
26
Não publiquei em folheto
No ano 2001...
Depois, deixei guardado
Sem pensamento nenhum
Era coisa do passado,
Não tinha valor algum
27
Mas no ano 2009
Outro apagão acontece
Parece coisa do demo
Penso que ninguém merece
Muitos bairros às escuras
Amanhã logo se esquece
28
Sem ter a quem reclamar
Paga conta exorbitante
Liga para o ouvidor
Com ouvidos de mercante
Cansado, o povo desiste
Do sonho de reclamante
29
Lula diz tá inocente
A política parece
Uma grande indecência
Logo vem outro sinistro
O povo indignado
Tratado com displicência
30
Nosso ilustre presidente
Repete: sou inocente
O governador insiste
Em queixar-se ao presidente
E as Olimpíadas? Cuidado!
Vai sobrar pra muita gente!
FIM
(Maria Rosário Pinto
(Apoio: Sepalo Campelo)
Rio de Janeiro, Dezembro 2009.
01
Caros amigos, leitores
Olha só que confusão
Em que suruba danada
Foi nos meter Fernandão
Parece coisa do demo
Tamanha complicação
02
Fernandão vem nos mostrar
A sua democracia
Que na miséria do povo
É pura demagogia
Parecendo até cinismo
Falar em cidadania
03
Ele diz que é letrado
Sociólogo, sim senhor!
Mas parece que esqueceu
As doutrinas de doutor
E o povo pagando o pato
Chorando e sentindo dor
04
Ele diz que não sabia
Oh! Que povo inconsciente
Mas porque não avisaram
Ao ilustre presidente
P’ra que ele não fizesse
Essa maldade com a gente?!
05
Se pudesse eu chegaria
Suave como uma mosca
Nas entranhas do Planalto
Desatarraxando a rosca
Onde o que é para o povo
Esbarra em promessa tosca
06
Vamos voltar para o tempo
Com a luz de lampião
Que afeta nossa vista
Estragando o nosso pulmão
Tudo como conseqüência
Deste maldito apagão
07
No ponto em que nós chegamos
Que Deus pena de nós tenha
Adeus dona ecologia
Na cozinha eu uso lenha
Cada um faça o que pode
Da forma que lhe convenha
08
Para cumprir a medida
Inventaram uma meta,
No consumo lá de casa,
Parece coisa incorreta
Bisbilhotando a vida
De quem anda em linha reta
09
Até o nosso São Pedro
Recebeu sua incumbência
Providenciar que chova
Pela divina clemência!
Assim ficou de plantão
Sem perder a paciência
10
Ah! Que saudades que tenho
Dos tempos que já se vão
Toda chuva que caía
Anunciava o trovão
Nosso querido São Pedro
Nem pensava em apagão
11
Há governantes que cuidam
Da saúde do povão
Mas aqui é diferente:
Pois o nosso cidadão
Somente é visto e lembrado
Quando chega uma eleição
12
Sofrendo as ameaças
De ver luzes apagadas
As famílias constrangidas
Ficam sempre aperreadas
Banham-se rapidamente
Usam roupas mal lavadas
13
Não se pode ouvir o rádio
Pois na corrente é ligado
Televisão, nem pensar
O lazer foi controlado
A gente tem que ficar
No escuro e abafado
14
Não consigo entender
A tal globalização
O mundo todo alinhado
O Brasil na contramão
Se isto é globalizar...
Fora, a globalização!
15
Hoje as nossas riquezas
Pelo mundo, empenhadas
Nossas maiores empresas
Já foram arrematadas
(Em leilões constrangedores)
No país, espoliadas
16
O distante dirigente
Quando chega a eleição
Beija o povo ardentemente
Chega perto da nação
Foge dele quando vem
O final da votação
17
O Brasil é sempre jovem
Como país do futuro
Vamos chegar à velhice
Em regime muito duro
Nossas crianças vivendo
Sem conforto e no escuro
18
Até mesmo o futebol
Já está prejudicado
Horário em nossos estádios
Agora está controlado
Para se ganhar a copa
O sonho fica adiado
19
Também como anda a vida
As coisas esculhambadas
Nossa seleção não ganha
Nem dos times de peladas
Só falta agora perder
As copas já conquistadas
20
Nosso país hoje vive
A grande guerra civil
A violência parece
Ser de pólvora um barril
A continuar assim
Morrerão de mil em mil
21
O povo passando fome
E com a barriga vazia
Já perdeu as esperanças
E também a fantasia
Pagando pelos enganos
Com erros em demasia
22
Eu estudo o cordel
Com afinco e alegria
Muito é preciso aprender
Para escrever com mestria
Procurando exercitar
O valor da poesia
23
Faço agora este cordel
Dividindo a autoria
Com meu amigo Sepalo
Amante da poesia
É poeta de valor
Lá da nossa Academia
24
(Sepalo)
A divisão de autoria
Que Rosário concedeu
É mais um a cortesia
Que a colega ofereceu
Porque de fato o cordel
É mais dela do que meu
25
Quem tem o dom de poeta
Rimando sente alegria
O cordel é uma luz
Que todo o mundo alumia
E não existe apagão
Que apague a poesia
Apagão II (2009)
26
Não publiquei em folheto
No ano 2001...
Depois, deixei guardado
Sem pensamento nenhum
Era coisa do passado,
Não tinha valor algum
27
Mas no ano 2009
Outro apagão acontece
Parece coisa do demo
Penso que ninguém merece
Muitos bairros às escuras
Amanhã logo se esquece
28
Sem ter a quem reclamar
Paga conta exorbitante
Liga para o ouvidor
Com ouvidos de mercante
Cansado, o povo desiste
Do sonho de reclamante
29
Lula diz tá inocente
A política parece
Uma grande indecência
Logo vem outro sinistro
O povo indignado
Tratado com displicência
30
Nosso ilustre presidente
Repete: sou inocente
O governador insiste
Em queixar-se ao presidente
E as Olimpíadas? Cuidado!
Vai sobrar pra muita gente!
FIM
(Maria Rosário Pinto
(Apoio: Sepalo Campelo)
Rio de Janeiro, Dezembro 2009.
Postado por
Rosario Pinto | Twitter: @Rosarioecordel
às
12:59
2
comentários
Links para esta postagem
Assinar:
Postagens (Atom)

